Quinta-feira, 18 de Junho de 2015
Não conhecia Alice Vieira como crítica de televisão.Ela escreveu no
Diário Popular, de onde retirei uma das suas análises
Ontem Vimos, de 25 de outubro de 1969. Alice Vieira comentou um episódio da série
Casei com uma Feiticeira, uma dona de casa que fazia magia sempre que torcia o nariz. Lembro-me da série, onde a personagem marido era inculta, nem sempre sensível por não compreender o que se estava a passar. Além das gargalhadas que irrompiam nos episódios como se fosse uma representação ao vivo em sala de teatro.
Alice Vieira escreveu sobre o que aprendeu em termos culturais, a começar pela palavra gloxímia. O episódio de 24 de outubro de 1969 meteu imagens de Londres, Paris e um campo de golfe na Escócia e desportos como corridas de automóveis, roleta (desporto?) e saltos de paraquedas. A escritora e crítica de televisão concluía pelo grande poder de atração da imagem. Lembro que a televisão então era a preto e branco.
Segunda-feira, 13 de Abril de 2015
Li agora no Público que o documentário do jornalista Jacinto Godinho Os Últimos Dias da PIDE vai passar brevemente na RTP. Nele, procura-se dar uma versão diferente da história existente nos últimos 40 anos. A tese de Godinho é quea revolução do 25 de Abril "não foi planeada", pois não fora previsto o futuro da polícia política, o principal sustentáculo da ditadura. Suspeito que vai nascer uma polémica interessante, pós-modernista, a partir das ideias de um dos melhores jornalistas de documentário televisivo.
Domingo, 29 de Março de 2015
O texto vem hoje no
Diário de Notícias, assinado por Carla Bernardino. Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Góis formam o quarteto humorístico
Gato Fedorento. Embora não haja separação oficial, não se sabe o que o grupo fará no futuro, disse Digo Quintela, empresário de Padaria Portuguesa. Mas Ricardo Araújo Pereira vai regressar sozinho à TVI na altura das eleições legislativas para o final deste ano, embora não seja em programa semelhante ao
Esmiuçar os Sufrágios (SIC, Setembro de 2009), que atingiu uma média de 1,3 milhões de espectadores por sessão. No terreno da publicidade, o grupo terá chegado ao fim, pois Ricardo Araújo Pereira está sozinho na campanha da Meo.
Terça-feira, 17 de Março de 2015
A nova administração da RTP escolheu Paulo Dentinho para diretor de informação da televisão, Daniel Deusdado (produtora Farol de Ideias) para diretor de programas da RTP1, RTP Informação e Internacional, Teresa Paixão para diretora da RTP2, Gonçalo Madaíl para a RTP Memória, José Arantes para a RTP África, João Paulo Baltazar (ex-TSF) para diretor de informação da rádio, Rui Pêgo que mantém a direção da Antena 1, Antena 2, RDP África e RDP Internacional, e Nuno Reis para a direção da Antena 3. Mantêm-se ainda os diretores da RTP e RDP Açores, Maria do Carmo Figueiredo, e da RTP e RDP Madeira, Martim Santos.
Sábado, 7 de Março de 2015
O novo contrato de concessão da RTP foi assinado ontem. Assinado pelo Estado, pelo presidente do conselho geral independente (CGI), António Feijó, e pela administração da RTP liderada por Gonçalo Reis, o novo contrato permitirá à empresa ganhar maior independência, ambição e competência, disse o ministro da tutela. O contrato de concessão do serviço público, que juntou pela primeira vez o serviço de rádio e televisão e o regulador de fiscalização e supervisão (o CGI) no mesmo documento, traz igualmente mudanças ao nível do financiamento, baseado nas contribuições dos cidadãos (audiovisual, na conta da electricidade) e sem as compensações indemnizatórias. O Jornal de Negócios, de onde tiro a informação, escreveu que o novo contrato de concessão esteve para ser assinado há seis meses, mas a anterior administração, liderada por Alberto da Ponte, fizera depender a sua assinatura das projecções financeiras.
Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2015
Não sou especialista em televisão digital terrestre e apenas tenho como base a notícia do Expresso de hoje ao começo da tarde. Mas há algo que não me parece bem nessa notícia. Sobre a televisão digital terrestre, o ministro da tutela diz querer encontrar uma solução até ao final da legislatura, pois a tecnologia é uma das questões que o têm frustrado mais. Lamenta até que a tecnologia esteja a morrer. Para o ministro, um só canal (além dos quatro generalistas) não faz sentido mas reconhece que o problema jurídico para aumentar o número de canais seja complexo. Pela notícia, fica-se a saber que a Anacom [Autoridade Nacional das Comunicações] vai efectuar uma alteração tecnológica, presumo que obrigando o operador a melhorar a cobertura.
Sei que, durante muito tempo, se discutiu a televisão digital terrestre e que ela entrou tarde de mais no país, com uma discutível porque incompleta cobertura no país e num momento de dificuldades de investimentos publicitários, que não tornaram atraente a tecnologia que substituiu a forma mais antiga de propagação da televisão por feixes hertzianos. Mas, agora que a televisão por cabo tem uma larga preponderância em termos de espectadores, há interesse na tecnologia aerial? E quais são as empresas que querem colocar publicidade no sistema? A tecnologia traz acréscimos de interactividade? E não se fala mais na migração da rádio para o digital?
Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015
Segundo um estudo da FX Networks, o número de séries no mercado televisivo por cabo norte-americano quase aumentou oito vezes nos últimos 15 anos. Em 1999, havia 23 séries, em 2014 o número atingiu 180. Muitas das séries acabam por ser exportadas para fora do país (a partir do Diário de Notícias).
Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2015
Pós-Sociedade. A Sociedade Pós-Literária, Pós-Nacional, Pós-Democrática e Pós-Ocidentalé o mais recente livro de Fernando Ilharco (2014). Dividido em quatro partes e nove capítulos é um livro que reflecte a sociedade de hoje dentro de uma perspetiva antropológica e filosófica. Ele resulta de textos que o autor foi publicando ao longo de dez anos no jornal
Público.Assim, a partir de uma estrutura fragmentária ou mosaicos de ideias, sem a grande narrativa da História como quadro central, pelo que destaca o
pós, o professor de comunicação da Universidade Católica tem possibilidade de se expressar a partir de uma série larga de temas sobre a modernidade, a tecnologia, os consumos, os ecrãs e a sociedade, muitas vezes associados a acontecimentos mediáticos de grande importância na discussão da opinião pública.Como os textos são pequenos em dimensão, num dispositivo de conversa semanal, há uma retoma sistemática de alguns tópicos, esclarecendo, iluminando, olhando de outro viés, o que torna a leitura muito agradável e convidativa.
Autores de referência de Ilharco: McLuhan, Heidegger, Flusser, Baudrillard. Comenta-os, segue-os, mas também os critica. Mesmo quando acho que está distante na sua análise, o autor toma partido, sugere, encaminha, joga com as palavras e as ideias, desfazendo muitos dos lugares comuns ou ideias tomadas por certas. Com regularidade, ironiza. Desconstrói, mesmo não parecendo um pós-estruturalista (como o título do livro leva a pensar). A propósito de caricaturas de Maomé, que provocaram o escândalo e os graves acidentes recentes de Paris (com o jornal
Charles Hebdo), o autor acha estranha a atitude, uma vez que um
cartoon é apenas um meio de comunicação. Na sua leitura, a sociedade está numa cultura pós-escrita e literária e numa era de cultura semiótica, instantânea e visual do digital, contrária às emoções do texto e do cartaz. Depois, e é um assunto que persegue em todo o livro, o império (depois de Roma, o novo império é o país chamado Estados Unidos) tem os seus bárbaros dentro do seu perímetro. Dantes, o perigo vinha de fora dos muros; hoje, ele está dentro e nem todas as tecnologias de vigilância acabam com o medo do outro. Um terceiro tópico, de muita exigência por parte de Fernando Ilharco, é o da sociedade do espetáculo. Ele escreve que as massas em Berlim esperaram pela câmaras da televisão para começarem a destruir o muro da cidade (1989) - a encenação que corrobora o presente para olhar o futuro.
A propósito da televisão, o autor comenta que esta foi tomada pela gente comum. Escreve: "A vida é um tabloide. Os diretos, as entrevistas e as reportagens sobre o crime, o
voyeurismo televisivo dos
reality-shows e outros episódios do género faziam de todo o ano uma
silly season" (p. 134). Da televisão, a partir das imagens de crianças entrevistadas a semana passada a propósito da cantora argentina Violeta, eu conclui algo ainda mais fractal: a televisão não é apenas da gente comum mas também das crianças. Infantilizou-se ela?
Leitura: Fernando Ilharco (2014).
Pós-Sociedade. A Sociedade Pós-Literária, Pós-Nacional, Pós-Democrática e Pós-Ocidental. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 421 p., 20 euros
Desde o começo deste mês, o professor Fernando Ilharco apresenta uma crónica diária na Antena 1, -de segunda a sexta-feira, às 14:20, sob o nome
O Novo Normal, com "apresentação de uma história inspiradora e inovadora, narrada numa perspectiva pragmática e num quadro científico. Procurando inspirar e motivar os ouvintes, nomeadamente os profissionais activos e os estudantes, abordo episódios de determinação e vontade, de desempenhos extraordinários e de motivação, de liderança e trabalho em equipa, reflectindo-se sobre as lições que desses casos se podem retirar para a vida profissional e pessoal de cada um" (informação retirada do sítio da Universidade Católica).
Sábado, 17 de Janeiro de 2015
"O circuito dos famosos: dos ecrãs para as revistas cor-de-rosa. As revistas cor-de-rosa revelam nas capas o seu total parasitismo em relação à TV. Segundo um levantamento da Sábado, foram capas em 2014 na Flash, Nova Gente, VIP, Caras, Lux, TVMais e TVGuia: Cristina Ferreira (38 vezes), Judite Sousa (26), Bárbara Guimarães (17), Tony Carreira (15), Cláudia Vieira (11), Rita Pereira (10). O único homem da lista, Carreira, também é uma figura da TV, onde está sempre presente, como «namorado das mães de Portugal». Como os leitores destas revistas não conhecem bem senão caras da TV, as revistas ficam-se por aí" (Eduardo Cintra Torres, Correio da Manhã, 4.1.2015). Falta explicar a ligação das revistas aos grupos das televisões para compreender melhor a teia de interesses mediáticos.
Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2015
O Conselho Geral Independente da RTP terá proposto o nome de Gonçalo Reis para presidente da RTP e o de Nuno Artur Silva para administrador para a área dos conteúdos. Gonçalo Reis já esteve na RTP entre 2002 e 2007 (na direcção de Almerindo Marques), ao passo que Nuno Artur Silva é director-geral das Produções Fictícias e do canal Q e moderador do programa Eixo do Mal, da SIC Notícias. Falta ainda indicar o nome do administrador financeiro.
Actualização a 21 de Janeiro de 2015: O conselho de administração da RTP renuncia após entrega do relatório de contas de 2014 até ao final do mês, enquanto ministro agradece a "boa gestão" da equipa de Alberto da Ponte.
Actualização a 22 de Janeiro de 2015: Cristina Vaz Tomé, gestora na consultora KPMG e com passagem pelo Instituto de Investigação Cientifica Tropical, vai integrar a nova administração da RTP com o pelouro financeiro, segundo opresidente do Conselho Geral Independente (CGI) ontem na Grande Entrevista da RTP-Informação.