Quinta-feira, 28 de Abril de 2011

TRIUMPH

Para a Triumph, 2011 é um ano especial, pois comemora 125 anos de actividade. Na realidade, a Triumph, fabricante de lingerie, foi fundada na Alemanha pelas famílias de Johann Gottfried Spiesshofer e de Michael Braun em 1886. A primeira subsidiária estrangeira foi estabelecida na Suíça, que se tornou a sede da empresa.

O anúncio agora colocado nos mupies mostra três modelos com cinturas muitas finas, contornos mais ampliados pela luz branca vinda de trás. A imagem recorda-me o quadro de Almada Negreiros, As banhistas, formas que ele tirara de um quadro de Picasso. As cores lembram-me o fauvismo, caracterizado por cores intensas como as que se observam nos países mediterrânicos, nomeadamente na zona meridional francesa, onde o movimento teve uma grande repercussão. Um dos quadros mais impressivos do fauvismo, embora com cores muito distintas das do anúncio, é o de Henri Matisse, La blouse romaine (1940). Para Matisse, as cores não precisavam de estar de acordo com os tons reais do objecto mas estabelecerem harmonia com as outras cores (Raymond Cogniat, "O Fauvism", História da Arte, Alfa, 1992, vol. 9, p. 112).

A publicidade fez-me ainda rever a pintura de Sonia Delaunay-Terk na década de 1920. Outras ideias despertadas pela pose das modelos leva-nos à depuração de linhas na banda desenhada japonesa (manga) e às peças de manequins em papel que se vestiam e voltavam a vestir, mais tarde representada pelo guarda-roupa da Barbie e agora em sítios da internet onde se podem vestir os manequins com peças de roupa virtuais. A modelo do centro parece o resultado de uma construção desse tipo. Na imagem não vejo super-mulheres nem mulheres de beleza ideal mas cuja irrealidade é suportada na ondulação dos movimentos das modelos. O importante é a mensagem de conforto e boa linha por elas transmitidas.
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TRIUMPH

Para a Triumph, 2011 é um ano especial, pois comemora 125 anos de actividade. Na realidade, a Triumph, fabricante de lingerie, foi fundada na Alemanha pelas famílias de Johann Gottfried Spiesshofer e de Michael Braun em 1886. A primeira subsidiária estrangeira foi estabelecida na Suíça, que se tornou a sede da empresa.

O anúncio agora colocado nos mupies mostra três modelos com cinturas muitas finas, contornos mais ampliados pela luz branca vinda de trás. A imagem recorda-me o quadro de Almada Negreiros, As banhistas, formas que ele tirara de um quadro de Picasso. As cores lembram-me o fauvismo, caracterizado por cores intensas como as que se observam nos países mediterrânicos, nomeadamente na zona meridional francesa, onde o movimento teve uma grande repercussão. Um dos quadros mais impressivos do fauvismo, embora com cores muito distintas das do anúncio, é o de Henri Matisse, La blouse romaine (1940). Para Matisse, as cores não precisavam de estar de acordo com os tons reais do objecto mas estabelecerem harmonia com as outras cores (Raymond Cogniat, "O Fauvism", História da Arte, Alfa, 1992, vol. 9, p. 112).

A publicidade fez-me ainda rever a pintura de Sonia Delaunay-Terk na década de 1920. Outras ideias despertadas pela pose das modelos leva-nos à depuração de linhas na banda desenhada japonesa (manga) e às peças de manequins em papel que se vestiam e voltavam a vestir, mais tarde representada pelo guarda-roupa da Barbie e agora em sítios da internet onde se podem vestir os manequins com peças de roupa virtuais. A modelo do centro parece o resultado de uma construção desse tipo. Na imagem não vejo super-mulheres nem mulheres de beleza ideal mas cuja irrealidade é suportada na ondulação dos movimentos das modelos. O importante é a mensagem de conforto e boa linha por elas transmitidas.
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Para a Triumph, 2011 é um ano especial, pois comemora 125 anos de actividade. Na realidade, a Triumph, fabricante de lingerie, foi fundada na Alemanha pelas famílias de Johann Gottfried Spiesshofer e de Michael Braun em 1886. A primeira subsidiária estrangeira foi estabelecida na Suíça, que se tornou a sede da empresa.

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Para a Triumph, 2011 é um ano especial, pois comemora 125 anos de actividade. Na realidade, a Triumph, fabricante de lingerie, foi fundada na Alemanha pelas famílias de Johann Gottfried Spiesshofer e de Michael Braun em 1886. A primeira subsidiária estrangeira foi estabelecida na Suíça, que se tornou a sede da empresa.

O anúncio agora colocado nos mupies mostra três modelos com cinturas muitas finas, contornos mais ampliados pela luz branca vinda de trás. A imagem recorda-me o quadro de Almada Negreiros, As banhistas, formas que ele tirara de um quadro de Picasso. As cores lembram-me o fauvismo, caracterizado por cores intensas como as que se observam nos países mediterrânicos, nomeadamente na zona meridional francesa, onde o movimento teve uma grande repercussão. Um dos quadros mais impressivos do fauvismo, embora com cores muito distintas das do anúncio, é o de Henri Matisse, La blouse romaine (1940). Para Matisse, as cores não precisavam de estar de acordo com os tons reais do objecto mas estabelecerem harmonia com as outras cores (Raymond Cogniat, "O Fauvism", História da Arte, Alfa, 1992, vol. 9, p. 112).

A publicidade fez-me ainda rever a pintura de Sonia Delaunay-Terk na década de 1920. Outras ideias despertadas pela pose das modelos leva-nos à depuração de linhas na banda desenhada japonesa (manga) e às peças de manequins em papel que se vestiam e voltavam a vestir, mais tarde representada pelo guarda-roupa da Barbie e agora em sítios da internet onde se podem vestir os manequins com peças de roupa virtuais. A modelo do centro parece o resultado de uma construção desse tipo. Na imagem não vejo super-mulheres nem mulheres de beleza ideal mas cuja irrealidade é suportada na ondulação dos movimentos das modelos. O importante é a mensagem de conforto e boa linha por elas transmitidas.
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Para a Triumph, 2011 é um ano especial, pois comemora 125 anos de actividade. Na realidade, a Triumph, fabricante de lingerie, foi fundada na Alemanha pelas famílias de Johann Gottfried Spiesshofer e de Michael Braun em 1886. A primeira subsidiária estrangeira foi estabelecida na Suíça, que se tornou a sede da empresa.

O anúncio agora colocado nos mupies mostra três modelos com cinturas muitas finas, contornos mais ampliados pela luz branca vinda de trás. A imagem recorda-me o quadro de Almada Negreiros, As banhistas, formas que ele tirara de um quadro de Picasso. As cores lembram-me o fauvismo, caracterizado por cores intensas como as que se observam nos países mediterrânicos, nomeadamente na zona meridional francesa, onde o movimento teve uma grande repercussão. Um dos quadros mais impressivos do fauvismo, embora com cores muito distintas das do anúncio, é o de Henri Matisse, La blouse romaine (1940). Para Matisse, as cores não precisavam de estar de acordo com os tons reais do objecto mas estabelecerem harmonia com as outras cores (Raymond Cogniat, "O Fauvism", História da Arte, Alfa, 1992, vol. 9, p. 112).

A publicidade fez-me ainda rever a pintura de Sonia Delaunay-Terk na década de 1920. Outras ideias despertadas pela pose das modelos leva-nos à depuração de linhas na banda desenhada japonesa (manga) e às peças de manequins em papel que se vestiam e voltavam a vestir, mais tarde representada pelo guarda-roupa da Barbie e agora em sítios da internet onde se podem vestir os manequins com peças de roupa virtuais. A modelo do centro parece o resultado de uma construção desse tipo. Na imagem não vejo super-mulheres nem mulheres de beleza ideal mas cuja irrealidade é suportada na ondulação dos movimentos das modelos. O importante é a mensagem de conforto e boa linha por elas transmitidas.
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Sábado, 5 de Março de 2011

HIPSTER

Conforme o texto inserido na Wikipedia, hipster é um termo que surgiu na década de 1940 e foi revisitado nas décadas de 1990 e de 2000 para descrever adolescentes mais velhos e jovens adultos, urbanos e da classe média, com interesses culturais de correntes minoritárias, como rock indie, cinema independente, revistas como Vice [com edição portuguesa em 2009] e Clash, e sítios como Pitchfork. O termo empregue na década de 1940 identificava o aficcionado do jazz, do bebop em particular, popularizado no início dessa década, que adoptava o estilo de vida do músico de jazz, com vestuário, uso da cannabis e outras drogas, atitude descontraída, humor sarcástico, pobreza auto-imposta, e códigos sexuais descomprometidos. O hipsterismo agrega, se quisermos, elementos de movimentos marginais do pós-guerra como beat, hippie, punk e grunge, continuo a ler na página da Wikipedia.

A revista Pública dedicou atenção a este tema na edição de 30 de Janeiro último, com assinatura de David Pinheiro Silva e Joana Amaral Cardoso. Para os autores, o hipster é um estilo, uma escolha de visual com base cultural, em que capitalismo, internet, música e moda ajudam a definir o estilo da cultura jovem actual. O texto ajuda a compor o que a Wikipedia não engloba, ao procurar identificar os estilos da moda juvenil ao longo das décadas: "Nos anos 1970 havia o hippie, nos anos 1980 o punk e nos anos 1990 o slacker, que ouvia rock grunge e vestia camisas de flanela. A roupa desportiva de b-boys e b-girls da cultura hip-hop seguiram-se-lhe. [...] Hoje, quando olhamos para os adolescentes e jovens adultos, haverá sempre pelo menos um hipster entre eles".

Lê-se ainda que o fenómeno hipster se resume a gosto, conceito que encontramos definido em Pierre Bourdieu. O prefixo hip é sinónimo de algo de novo e fresco. O hipster tem um distanciamento face à política e é adepto do grande consumo, ideia contrária à da definição da Wikipedia, o que me deixa confundido. Um investigador assinalado no texto da Pública indica mesmo que os hipsters não fazem nada de mal, não fazem mesmo nada. Também são considerados como flaneurs, como Baudelaire escreveu. Talvez, no fundo, seja mais uma série de referências adoptadas a nível visual do que uma contracultura ou movimento, onde não há uma substituição de referências mas uma sua acumulação, que remete para a singularidade. Vítor Ferreira, sociólogo citado no texto, diz: "A história do hippie e do punk é escrita nos termos do sistema social e político em que se inseriam. Aqui [nas cenas juvenis actuais] há uma deriva heterotópica, porque se fragmenta muito, em que a acumulação de referências é que vai dar substância biográfica e individual aquela trajectória e remete para uma série de referências que a vão singularizar".
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HIPSTER

Conforme o texto inserido na Wikipedia, hipster é um termo que surgiu na década de 1940 e foi revisitado nas décadas de 1990 e de 2000 para descrever adolescentes mais velhos e jovens adultos, urbanos e da classe média, com interesses culturais de correntes minoritárias, como rock indie, cinema independente, revistas como Vice [com edição portuguesa em 2009] e Clash, e sítios como Pitchfork. O termo empregue na década de 1940 identificava o aficcionado do jazz, do bebop em particular, popularizado no início dessa década, que adoptava o estilo de vida do músico de jazz, com vestuário, uso da cannabis e outras drogas, atitude descontraída, humor sarcástico, pobreza auto-imposta, e códigos sexuais descomprometidos. O hipsterismo agrega, se quisermos, elementos de movimentos marginais do pós-guerra como beat, hippie, punk e grunge, continuo a ler na página da Wikipedia.

A revista Pública dedicou atenção a este tema na edição de 30 de Janeiro último, com assinatura de David Pinheiro Silva e Joana Amaral Cardoso. Para os autores, o hipster é um estilo, uma escolha de visual com base cultural, em que capitalismo, internet, música e moda ajudam a definir o estilo da cultura jovem actual. O texto ajuda a compor o que a Wikipedia não engloba, ao procurar identificar os estilos da moda juvenil ao longo das décadas: "Nos anos 1970 havia o hippie, nos anos 1980 o punk e nos anos 1990 o slacker, que ouvia rock grunge e vestia camisas de flanela. A roupa desportiva de b-boys e b-girls da cultura hip-hop seguiram-se-lhe. [...] Hoje, quando olhamos para os adolescentes e jovens adultos, haverá sempre pelo menos um hipster entre eles".

Lê-se ainda que o fenómeno hipster se resume a gosto, conceito que encontramos definido em Pierre Bourdieu. O prefixo hip é sinónimo de algo de novo e fresco. O hipster tem um distanciamento face à política e é adepto do grande consumo, ideia contrária à da definição da Wikipedia, o que me deixa confundido. Um investigador assinalado no texto da Pública indica mesmo que os hipsters não fazem nada de mal, não fazem mesmo nada. Também são considerados como flaneurs, como Baudelaire escreveu. Talvez, no fundo, seja mais uma série de referências adoptadas a nível visual do que uma contracultura ou movimento, onde não há uma substituição de referências mas uma sua acumulação, que remete para a singularidade. Vítor Ferreira, sociólogo citado no texto, diz: "A história do hippie e do punk é escrita nos termos do sistema social e político em que se inseriam. Aqui [nas cenas juvenis actuais] há uma deriva heterotópica, porque se fragmenta muito, em que a acumulação de referências é que vai dar substância biográfica e individual aquela trajectória e remete para uma série de referências que a vão singularizar".
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HIPSTER

Conforme o texto inserido na Wikipedia, hipster é um termo que surgiu na década de 1940 e foi revisitado nas décadas de 1990 e de 2000 para descrever adolescentes mais velhos e jovens adultos, urbanos e da classe média, com interesses culturais de correntes minoritárias, como rock indie, cinema independente, revistas como Vice [com edição portuguesa em 2009] e Clash, e sítios como Pitchfork. O termo empregue na década de 1940 identificava o aficcionado do jazz, do bebop em particular, popularizado no início dessa década, que adoptava o estilo de vida do músico de jazz, com vestuário, uso da cannabis e outras drogas, atitude descontraída, humor sarcástico, pobreza auto-imposta, e códigos sexuais descomprometidos. O hipsterismo agrega, se quisermos, elementos de movimentos marginais do pós-guerra como beat, hippie, punk e grunge, continuo a ler na página da Wikipedia.

A revista Pública dedicou atenção a este tema na edição de 30 de Janeiro último, com assinatura de David Pinheiro Silva e Joana Amaral Cardoso. Para os autores, o hipster é um estilo, uma escolha de visual com base cultural, em que capitalismo, internet, música e moda ajudam a definir o estilo da cultura jovem actual. O texto ajuda a compor o que a Wikipedia não engloba, ao procurar identificar os estilos da moda juvenil ao longo das décadas: "Nos anos 1970 havia o hippie, nos anos 1980 o punk e nos anos 1990 o slacker, que ouvia rock grunge e vestia camisas de flanela. A roupa desportiva de b-boys e b-girls da cultura hip-hop seguiram-se-lhe. [...] Hoje, quando olhamos para os adolescentes e jovens adultos, haverá sempre pelo menos um hipster entre eles".

Lê-se ainda que o fenómeno hipster se resume a gosto, conceito que encontramos definido em Pierre Bourdieu. O prefixo hip é sinónimo de algo de novo e fresco. O hipster tem um distanciamento face à política e é adepto do grande consumo, ideia contrária à da definição da Wikipedia, o que me deixa confundido. Um investigador assinalado no texto da Pública indica mesmo que os hipsters não fazem nada de mal, não fazem mesmo nada. Também são considerados como flaneurs, como Baudelaire escreveu. Talvez, no fundo, seja mais uma série de referências adoptadas a nível visual do que uma contracultura ou movimento, onde não há uma substituição de referências mas uma sua acumulação, que remete para a singularidade. Vítor Ferreira, sociólogo citado no texto, diz: "A história do hippie e do punk é escrita nos termos do sistema social e político em que se inseriam. Aqui [nas cenas juvenis actuais] há uma deriva heterotópica, porque se fragmenta muito, em que a acumulação de referências é que vai dar substância biográfica e individual aquela trajectória e remete para uma série de referências que a vão singularizar".
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Conforme o texto inserido na Wikipedia, hipster é um termo que surgiu na década de 1940 e foi revisitado nas décadas de 1990 e de 2000 para descrever adolescentes mais velhos e jovens adultos, urbanos e da classe média, com interesses culturais de correntes minoritárias, como rock indie, cinema independente, revistas como Vice [com edição portuguesa em 2009] e Clash, e sítios como Pitchfork. O termo empregue na década de 1940 identificava o aficcionado do jazz, do bebop em particular, popularizado no início dessa década, que adoptava o estilo de vida do músico de jazz, com vestuário, uso da cannabis e outras drogas, atitude descontraída, humor sarcástico, pobreza auto-imposta, e códigos sexuais descomprometidos. O hipsterismo agrega, se quisermos, elementos de movimentos marginais do pós-guerra como beat, hippie, punk e grunge, continuo a ler na página da Wikipedia.

A revista Pública dedicou atenção a este tema na edição de 30 de Janeiro último, com assinatura de David Pinheiro Silva e Joana Amaral Cardoso. Para os autores, o hipster é um estilo, uma escolha de visual com base cultural, em que capitalismo, internet, música e moda ajudam a definir o estilo da cultura jovem actual. O texto ajuda a compor o que a Wikipedia não engloba, ao procurar identificar os estilos da moda juvenil ao longo das décadas: "Nos anos 1970 havia o hippie, nos anos 1980 o punk e nos anos 1990 o slacker, que ouvia rock grunge e vestia camisas de flanela. A roupa desportiva de b-boys e b-girls da cultura hip-hop seguiram-se-lhe. [...] Hoje, quando olhamos para os adolescentes e jovens adultos, haverá sempre pelo menos um hipster entre eles".

Lê-se ainda que o fenómeno hipster se resume a gosto, conceito que encontramos definido em Pierre Bourdieu. O prefixo hip é sinónimo de algo de novo e fresco. O hipster tem um distanciamento face à política e é adepto do grande consumo, ideia contrária à da definição da Wikipedia, o que me deixa confundido. Um investigador assinalado no texto da Pública indica mesmo que os hipsters não fazem nada de mal, não fazem mesmo nada. Também são considerados como flaneurs, como Baudelaire escreveu. Talvez, no fundo, seja mais uma série de referências adoptadas a nível visual do que uma contracultura ou movimento, onde não há uma substituição de referências mas uma sua acumulação, que remete para a singularidade. Vítor Ferreira, sociólogo citado no texto, diz: "A história do hippie e do punk é escrita nos termos do sistema social e político em que se inseriam. Aqui [nas cenas juvenis actuais] há uma deriva heterotópica, porque se fragmenta muito, em que a acumulação de referências é que vai dar substância biográfica e individual aquela trajectória e remete para uma série de referências que a vão singularizar".
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Conforme o texto inserido na Wikipedia, hipster é um termo que surgiu na década de 1940 e foi revisitado nas décadas de 1990 e de 2000 para descrever adolescentes mais velhos e jovens adultos, urbanos e da classe média, com interesses culturais de correntes minoritárias, como rock indie, cinema independente, revistas como Vice [com edição portuguesa em 2009] e Clash, e sítios como Pitchfork. O termo empregue na década de 1940 identificava o aficcionado do jazz, do bebop em particular, popularizado no início dessa década, que adoptava o estilo de vida do músico de jazz, com vestuário, uso da cannabis e outras drogas, atitude descontraída, humor sarcástico, pobreza auto-imposta, e códigos sexuais descomprometidos. O hipsterismo agrega, se quisermos, elementos de movimentos marginais do pós-guerra como beat, hippie, punk e grunge, continuo a ler na página da Wikipedia.

A revista Pública dedicou atenção a este tema na edição de 30 de Janeiro último, com assinatura de David Pinheiro Silva e Joana Amaral Cardoso. Para os autores, o hipster é um estilo, uma escolha de visual com base cultural, em que capitalismo, internet, música e moda ajudam a definir o estilo da cultura jovem actual. O texto ajuda a compor o que a Wikipedia não engloba, ao procurar identificar os estilos da moda juvenil ao longo das décadas: "Nos anos 1970 havia o hippie, nos anos 1980 o punk e nos anos 1990 o slacker, que ouvia rock grunge e vestia camisas de flanela. A roupa desportiva de b-boys e b-girls da cultura hip-hop seguiram-se-lhe. [...] Hoje, quando olhamos para os adolescentes e jovens adultos, haverá sempre pelo menos um hipster entre eles".

Lê-se ainda que o fenómeno hipster se resume a gosto, conceito que encontramos definido em Pierre Bourdieu. O prefixo hip é sinónimo de algo de novo e fresco. O hipster tem um distanciamento face à política e é adepto do grande consumo, ideia contrária à da definição da Wikipedia, o que me deixa confundido. Um investigador assinalado no texto da Pública indica mesmo que os hipsters não fazem nada de mal, não fazem mesmo nada. Também são considerados como flaneurs, como Baudelaire escreveu. Talvez, no fundo, seja mais uma série de referências adoptadas a nível visual do que uma contracultura ou movimento, onde não há uma substituição de referências mas uma sua acumulação, que remete para a singularidade. Vítor Ferreira, sociólogo citado no texto, diz: "A história do hippie e do punk é escrita nos termos do sistema social e político em que se inseriam. Aqui [nas cenas juvenis actuais] há uma deriva heterotópica, porque se fragmenta muito, em que a acumulação de referências é que vai dar substância biográfica e individual aquela trajectória e remete para uma série de referências que a vão singularizar".
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