Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2016

5ª Conferência Internacional de Cinema de Viana

A 5ª Conferência Internacional de Cinema de Viana é um espaço de reflexão e de partilha de experiências que visa a construção de comunidade internacional de interesses e de divulgação de projetos relacionados com duas temáticas centrais do cinema: escola; arte, ciência e cultura. Inscrições até 31 de janeiro de 2016. Realiza-se no âmbito da programação dos XVI Encontros de Cinema de Viana. A conferência internacional terá lugar na Escola Superior de Educação de Viana do Castelo (avenida Capitão Gaspar de Castro), nos dias 12 e 13 de maio de 2016. Uma organização de Ao Norte, CEMRI-LAV, Universidade Aberta e ESE-IPVC [informação da organização].

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Referendo da BBC sobre música

David Bowie faleceu ontem, com a notícia a circular hoje de manhã cedo. Ele editara o seu mais recente álbum há dias e houve a notícia de uma tournée incluindo Portugal. Aqui em casa tínhamos decidido assistir ao concerto quando ele viesse ao nosso país. Infelizmente tal não vai ocorrer.

Retiro do texto sobre ele na wikipédia, o começo da referência ao cantor: "Bowie só chamou a atenção do público em 1969, quando a canção Space Oddity alcançou o quinto lugar no UK Singles Chart. Após um período de três anos de experimentação, que incluem a realização de dois significativos e influentes álbuns, The Man Who Sold the World (1970) e Hunky Dory (1971), ele retorna em 1972 durante a era glam rock com um alter ego extravagante e andrógino chamado Ziggy Stardust, sustentado pelo sucesso de Starman e do aclamado álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. O seu impacto na época foi um dos maiores cultos já criados na cultura popular".

Talvez devido ao lado andrógino por ele ostentado na época, saiu esta notícia (Diário Popular, 18 de maio de 1974).
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Domingo, 10 de Janeiro de 2016

Boas pessoas

David Lindsay-Abaire nasceu num bairro operário em Boston sul em 1969. Conseguiu uma bolsa de estudos do Boy and Girls Club e iria estudar para a Milton Academy e, depois, as universidades nova-iorquinas de Sarah Lawrence e Julliard. No final da década de 1990 começou a trabalhar como autor dramático e ganhou um Pulitzer para o Teatro (2007).

A peça Boas Pessoas pode ser a obra mais autobiográfica do autor. Daniel (Pedro Laginha) sairia do bairro operário de Boston Sul e estudaria medicina. Depois voltou à cidade mas instalou-se numa zona rica. David Lindsay-Abaire também parece viver uma espécie de emigrante ou estrangeiro - não sendo de Boston ou de Nova Iorque ou de outra cidade onde viva.

Voltar a Boston para ver o bairro e as transformações entretanto ocorridas reflete-se no modo como o autor arquiteta a sua história, em que Margarida (Maria João Abreu), amiga de infância e namorada (dois meses), procura Daniel para pedir emprego. Ela tinha uma filha já adulta, nascida prematura e ainda dependente da mãe. Isso levava Margarida a chegar consecutivamente atrasada ao emprego, até ser despedida através do encarregado Sérgio (Luís Lucas Lopes) da loja de "Tudo a um Euro". A história junta ainda duas personagens que pertencem ao círculo próximo de Margarida: Júlia ou Ju (numa voz portentosa de Sílvia Filipe), amiga íntima, e Dulce (Irene Cruz), senhoria e também confidente da primeira. Só pelas cenas passadas no bingo entre as três mulheres, a que se junta Sérgio, a peça merece ser vista. Há ainda uma longa cena em casa de Daniel, com a mulher deste, Catarina (Leonor Seixas), com a presença de Margarida, convidada para um festa entretanto anulada. Destaco ainda a encenação (Marta Dias), o cenário (Catarina Barros) e os figurinos (Dino Alves), além dos sete coelhos, pela coreografia e pelo desempenho na mudança de cenários.

David Lindsay-Abaire julgava que a sua peça teria um curto período de tempo e que se apagaria rapidamente. Mas a crise financeira relevou as desigualdades sociais e económicas e criou grandes níveis de desemprego nos Estados Unidos, como se verifica também em Portugal, o que mantém uma grande atualidade. Na peça, Daniel não valoriza o fator sorte mas considera que o que lhe aconteceu foi resultado do seu esforço, o que não aconteceu com Margarida. Aqui, faço um novo paralelo entre autor e personagem: só há pouco tempo é que David Lindsay-Abaire descobriu que a bolsa se destinava a premiar um atleta, coisa que ele não era - o que ilustra o fator sorte. Claro que a isto devemos juntar a perseverança dele.

A peça tem momentos sérios, pois trata de problemas sérios, mas a forma como se apresentam os diálogos, o tom irónico colocado em muitas das situações, levam a que a mensagem seja recebida pelo espectador de modo agradável. Afinal, Boas Pessoas leva-nos para o que as pessoas são mas também para os seus discursos. Uma coisa é o que o indivíduo é, outra é o que ele julga ser e o como os outros o veem.

Adenda (em 18 de janeiro de 2016): Sobre a atriz principal e a encenadora, ler aqui artigo do Diário de Notícias.
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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2016

O massacre de Munique em 1972 e o seu reflexo na rádio portuguesa

Em 7 de setembro de 1972, dois programas da Rádio Renascença eram suspensos. De produtores independentes, José Manuel Nunes e Adelino Gomes dirigiam Página 1 (19:30 às 21:00) e João Paulo Guerra era o responsável por Tempo ZIP (00:00 às 3:00). No começo da década de 1970, parte da programação da Renascença destacara-se pela sua qualidade, recordando ainda o programa 23ª Hora, que vinha de 1959 e se tornara uma referência com João Martins e batia a concorrência de Rádio Clube Português à noite. Página 1, por exemplo, começara como uma ligação entre o programa de rádio e a revista Flama, um semanário conceituado com preocupações religiosas e sociais.

Naquele começo de setembro, um comando palestiniano tinha entrado na aldeia olímpica de Munique e atacado e assassinado atletas e dirigentes israelitas. Adelino Gomes fez uma leitura dos trágicos acontecimentos, sem deixar de chamar a atenção para o problema político que envolvia a população palestiniana. À noite, João Paulo Guerra pegou no mesmo assunto. A notícia do Diário Popular indica a suspensão mas não revela as razões do sucedido, embora o editorial desse dia contasse a posição oficial do jornal (do governo) sobre o massacre de Munique. Nem aponta a decisão final: Tempo ZIP desapareceu, Página 1 reapareceu algum tempo depois. Adelino Gomes e João Paulo Guerra seriam irradiados.

No ano seguinte, na atribuição dos prémios de rádio pela Casa da Imprensa, apesar de não atribuir prémio para um programa de rádio, o júri referiu a qualidade do programa Tempo ZIP enquanto existiu e pediu que fosse dado a título excecional um prémio de Reportagem Radiofónica a Adelino Gomes pelas suas qualidades no programa Página 1, no qual "assumiu convictamente todos os riscos e deveres inerentes à profissão, sendo por isso de lamentar o seu prolongado afastamento" (Diário Popular, 13 de dezembro de 1973).

A proibição dos dois profissionais de trabalharem na estação seria levantada em abril de 1974.



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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2016

“A rádio não tem emissão educativa. É essencialmente distração”. Da tradição à modernidade radiofónica (1961-1969)

"O texto faz a análise de diversos elementos que contribuíram para as grandes alterações do panorama radiofónico português ao longo da década de 1960. Entendo que as mudanças nesse período agitaram a rádio mas confirmaram-na como um meio muito robusto, apto a inovações e criação de novos públicos. No trabalho, são estudados alguns intervenientes na cena radiofónica (realizadores, escritores, locutores), programas, produtores independentes e relação da atividade de rádio com a produção de fonogramas.Não é objeto do texto o arranque do jornalismo radiofónico em 1961 nem a novidade provocada pela programação de FM". Para ler o texto completo, carregar aqui. Texto apresentado em 28 de fevereiro de 2012.


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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2016

Companhia Mascarenhas-Martins (Montijo)

No sábado dia 16 de janeiro, a Companhia Mascarenhas-Martins apresenta-se ao público como nova estrutura de produção artística sediada no Montijo e com o objetivo de desenvolver trabalho profissional nas áreas do teatro, cinema, música, literatura e artes plásticas. Em 2016, seu primeiro ano de actividade, a nova companhia tem nos seus planos apresentar dois espectáculos de teatro baseados em textos originais, produzir um documentário e organizar conversas sobre a importância de fundar e manter estruturas artísticas. Na primeira apresentação pública, partilhar-se-á com os espectadores alguns dos motivos que levaram à fundação da nova estrutura, numa reflexão para a qual foram convidados os responsáveis por algumas das mais antigas companhias de teatro em atividade. A conversa, na Casa Mora (Montijo), com início marcado para as 16:00, será uma reflexão sobre a importância de fundar e manter estruturas artísticas profissionais, com a participação de João Brites (O Bando), Luís Miguel Cintra (Teatro da Cornucópia), João Lourenço e Vera San Payo de Lemos (Teatro Aberto). À noite, pelas 21:30, o concerto de Maria Mascarenhas e Levi Martins, que interpretarão canções de várias épocas e origens, num concerto intimista e descontraído (texto e imagem fornecidos pela organização).

Adenda (18 de janeiro de 2016, 19:00): em baixo, duas imagens da conversa e do concerto. Na conversa, que contou com a participação de Luis Miguel Cintra (Teatro da Cornucópia), João Brites (Teatro O Bando), João Lourenço e Vera San Payo de Lemos (Teatro Aberto), foi feita a comparação entre o momento em que estes fundaram as suas companhias e a atualidade (amabilidade de texto e imagens de Levi Martins).



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Sábado, 2 de Janeiro de 2016

Audiências de televisão em 2015 e jornalismo de referência

Retiro do Diário de Notícias online: "Os quatro canais generalistas registaram, em 2015, uma quota de mercado inferior à do ano anterior. A TVI continua a ser o canal preferido dos portugueses (22,5% de share em 2015 e 23,5% no ano anterior). A SIC segue em segundo lugar (18,7% em 2015, 19,1% em 2014), a RTP1 em terceiro (14,8% em 2015, 15,6% no ano anterior). A RTP2 registou 2% de share em 2015, menos uma décima do que em 2014. Números que se explicam com o crescimento de audiência dos canais por cabo, tendência que já se verifica de alguns anos a esta parte: assim, o conjunto de canais de cabo registou, em 2015, um share de 31,1% (contra os 29,3% do ano anterior). No segmento dos canais de informação, de assinalar a tendência de crescimento da SIC Notícias e da TVI24 e a queda da RTP3. O canal de notícias da SIC registou, em 2015, um share de 1,9% (1,7% em 2014). A TVI24 subiu dos 1,3% de 2014 para 1,6% em 2015. O canal de informação da estação pública de televisão caiu uma décima (0,9%)".

A descida dos canais generalistas e a subida dos canais por cabo acompanha, noutros media, a quebra de leitura de jornais em papel e o crescimento do consumo da internet nomeadamente em telemóveis inteligentes, situação verificável nos últimos anos. A interatividade e a autoedição tornam-se cada vez mais atrativas do que a receção passiva. Mas falta a edição crítica e de referência, como se lê no artigo de José Pacheco Pereira hoje no Público: "Os jornalistas têm um grande masoquismo, para não lhe chamar outra coisa, ao dar estatuto noticioso às “redes sociais”, sem a mediação e edição jornalística". E ele conclui: "cada vez mais o chamado “jornalismo de investigação” está no centro do jornalismo que ainda sobrevive em papel". Ou Alexandra Lucas Coelho, no dia 27 de dezembro último com o texto Para não acabar de vez com os jornais (e a democracia), onde ela lamenta o desaparecimento de jornais como Sol e i, os despedimentos no Público, a sua condição de colaboradora após a vaga anterior de despedimentos de jornalistas. Ela pede que o Público, dado ser um "perdório" de dinheiro desde o seu início, que se transforme em modelo de fundação e se defina como meio de responsabilidade social.

A quebra de audiências nos canais generalistas tem consequências, como menos trabalho e encomendas mas o modelo parece condenado, pela perspetiva generalista dos canais. Houve esse tempo de ouro do modelo generalista mas agora há uma inclinação para a especialização temática. Contudo, à perda de audiências dos canais generalistas assiste-se a um aumento do poder negocial dos operadores de telecomunicações, evidente nos negócios das três últimas semanas com os clubes desportivos mais fortes em Portugal. Esse maior poder negocial dos operadores de telecomunicações transfere para estes as decisões de conteúdos, o que não é igualmente bom para o pluralismo de expressões culturais.
publicado por industrias-culturais às 19:35
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Ponto Media

António Granado escreveu o seguinte: "O PONTO MEDIA chega hoje ao fim. Foram 15 anos de vida, acompanhado pelos melhores leitores. Quando, ainda no ano 2000, decidi criar este blog como resolução de novo milénio, sempre pensei que os posts teriam de ser úteis para quem o visitasse. Fiz questão de optar por um estilo curto (às vezes demasiado curto, admito), privilegiando links para textos que me pareciam interessantes e que pudessem trazer alguma novidade ao campo do ciberjornalismo, mas não só. O blog serviu também, como tantas vezes disse, para me organizar melhor, para conseguir ter à mão uma grande diversidade de textos que pudesse utilizar nas aulas ou recomendar aos alunos. Nesse sentido, o Ponto Media cumpriu o seu propósito e acho que terá sido proveitoso para quem o acompanhou".

Ao António Granado, os meus agradecimentos pelos seus textos e pelo incentivo dado quando eu quis também terminar este espaço. Também eu gostaria que ele continuasse, um blogue que até tem ISSN.
publicado por industrias-culturais às 18:19
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