Domingo, 17 de Janeiro de 2016
Foi um apelo emocionado no final da representação de
Bocage nos Lábios de uma Mulher, texto e encenação de Florbela Oliveira, cuja carreira de apresentações terminou hoje no Teatro Bocage, aqui em Lisboa. Já com 35 encenações na sua carreira, a atriz e encenadora apresentou os jovens membros em cena. A peça, que combina o teatro musical com a obra e o perfil pessoal do poeta Bocage, segue com fidelidade a sua vida e obra literária, com poemas e textos do poeta, e a história criada pela encenadora.
Na representação, destaco Andreia Trindade, pela sua juventude e força com que desempenha a personagem masculina do poeta. As atrizes destacam-se no elenco, como Margarida Serra e Rute Moreira. Mas também Sandro Morgado como compositor e direção musical e David Silva na coreografia. Sala quase cheia com público maioritariamente jovem.
Sábado, 16 de Janeiro de 2016
Nicolás Muller.Obras-Primas, retrospetiva da vida e obra do fotógrafo húngaro Nicolás Muller, patente no Centro Cultural de Cascais, organizada em Portugal pelo Ministério da Educação, Cultura e Desporto do Governo de Espanha e pelo festival PhotoEspanha. A exposição tem curadoria de Chema Conesa e produzida pela Comunidade de Madrid, com 70 fotografias a preto e branco, parte do espólio guardado pela filha de Nicolás, Ana Muller. Fotografias feitas na Hungria, França, Espanha, Portugal e Marrocos. Algumas fotografias foram feitas na zona ribeirinha do Porto.
Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2016
The
Game History annual symposium is an event that connects media historians, sociologists, museum curators, and any other researcher interested in the cultural history of games. The conference series is presented in partnership
LUDOV (Video games observation and documentation lab),
Homo Ludens, and
TAG (Technoculture, Arts and Games research center).
A partir de hoje, nas Oficinas de Formação e Animação Cultural de Aljustrel, Hélio Cunha expõe pintura e desenho.
Hélio Cunha nasceu na Penha de França em Lisboa. Em 1978, viveu em Inglaterra onde iniciou estudos e experiências no domínio das Artes Plásticas. No final dessa década, frequentou o ateliê do escultor Domingos Soares Branco nos Coruchéus. A partir de 1982, realizou 40 exposições individuais e participou em mais de 150 coletivas. Em quatro diferentes ocasiões, obteve dois primeiros, um segundo e um terceiro prémios de pintura Portugal Telecom. Menção honrosa em pintura no concurso Mergulhe na Expo 98. Prémio MAC 2015 em pintura. Foi membro do júri de selecção do Prémio de Pintura e Escultura Artur Bual ( 2006). Um filme sobre a sua obra, realizado por Álvaro Queirós, figura nos arquivos do ANIM, Cinemateca Portuguesa.
Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016
António Trindade Guedes nasceu no Peso da Régua em 1937, mas foi para o Porto muito jovem para trabalhar e estudar. Chegou a andar na Escola Industrial Infante D. Henrique mas desistiu. Desde esse tempo, ligou-se ao futebol: foi jogador (treinado por Artur Baeta), treinador (Salgueiros, Coimbrões, Lousada) e dirigente (Coimbrões; presidente do Conselho Técnico da Associação de Futebol do Porto). Entrou para a rádio nos Emissores do Norte Reunidos, onde fez o programa
Penalty com o produtor Fernando Gonçalves. Em 1972, ligou-se a Artur Agostinho. Nesse ano, tornou-se produtor independente e criou o programa
Alvo, emitido diariamente às 13:00 durante anos. Teve ainda o programa
Panorama, com médicos a colaborarem com ele, aos sábados e domingos. Quando Ribeiro Cristóvão assumiu a condução do desporto na Rádio Renascença passou a trabalhar com ele. Recentemente, com a criação do quarto canal da Renascença, a Rádio Sim, o programa
Alvo continua a emitir, agora aos sábados e domingos.
No livro, António Trindade Guedes recorda que foi o único jornalista de rádio presente na Taça Intercontinental de 1987. Noutro jogo de 1987, João Pinto, jogador do F. C. Porto, interrogado sobre a previsão do resultado entre o seu clube e o Bayern de Munique, respondeu com uma frase que ficou famosa: "Olhe, ó Trindade Guedes, prognósticos, prognósticos, só no fim do jogo" (p. 78). O radialista entrevistou muitos atletas, como Eusébio, Rui Costa, Vítor Damas e Fernando Gomes, e dirigentes como Pinto da Costa e Pimenta Machado. É conhecido pela marca TG, iniciais do seu nome profissional.
Leitura: Elvira Rodrigues e Germano Almeida (2015).
Trindade Guedes. O Homem e o Repórter. Vila do Conde: Verso da História. 128 p., 19,95 euros.
Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016
A próxima sessão do Entre Arquivos vai decorrer na Fundação Manuel Viegas Guerreiro, em Querença (Loulé), em 30 de Janeiro, às 15:00, com Sónia Vespeira de Almeida e Rita Ávila Cachado, responsáveis pelo projecto
Fins de tarde com a Antropologia. Conversas sobre arquivos etnográficos, realizado em Lisboa.
As conferencistas têm como ponto de partida a ideia que a discussão sobre os arquivos etnográficos em Portugal é ainda tímida. Os materiais etnográficos produzidos no presente podem ver-se como arquivos históricos no futuro e em que as etnografias se registam de várias formas e têm diversas maneiras de guardar os registos.
Terça-feira, 12 de Janeiro de 2016
Vera Lagoa teve uma coluna muito lida no
Diário Popular ao longo da década de 1960 e primeira metade da de 1970. Festas, recados e sugestões sociais, programas culturais (mais na versão moderna de
socialites) e comentários irónicos constituíam algumas das linhas da sua coluna Bisbilhotices. Em 1968, ela fez sair um volume com os textos de anos anteriores. Um deles foi intitulado
To Dente or Not Dente e era uma crítica a programa de rádio (24 de julho de 1966). Melhor, a uma locutora e produtora a falar de uma receita culinária. Como figurava um dente de alho na receita, a locutora acabou o seu comentário a dizer:
To Dente or Not to Dente.
O texto de Vera Lagoa aponta o primeiro nome da locutora, o que nos leva a Maria Carlota Álvares da Guerra (mãe do jornalista João Paulo Guerra e da atriz Maria do Céu Guerra). A locutora, mas também autora de livros, não teria ficado nada satisfeita com esta crítica. E, de imediato, reagiu, conforme se lê no blogue de
João Paulo Guerra: "Uma vez a Vera Lagoa – que nutria pela minha mãe um ódio de estimação amplamente retribuído – atreveu-se a meter-se com ela numa crítica no
Diário Popular, zurzindo uma crónica da rádio. Maria Armanda Falcão, o nome real de Vera Lagoa, tinha-se separado recentemente de José Tengarrinha e, na resposta à crítica venenosa no
Diário Popular, a Maria Carlota escreveu, ainda com mais veneno, qualquer coisa como isto: «Para que você me atingisse precisaria de ter garra. E você já nem sequer tem garrinha»".
Tengarrinha seria, nas décadas seguintes, conhecido como historiador, docente universitário e líder político (MDP-CDE). O livro de Vera Lagoa,
Bisbilhotices, foi editado pela Ibis.
[agradeço ao meu amigo e colega Gonçalo Pereira Rosa o ter-me indicado o livro, por ele conter alguns comentários sobre rádio. A minha leitura e a retirada deste texto foi imediata]
Concerto de Guitarra Francesco Luciani, dia 16, sábado, pelas 18:00, Casa-Museu Abel Salazar (S. Mamede de Infesta, Matosinhos)?.
Volto a servir-me do Diário de Notícias, que indica que a jornalista Ana Lourenço, um dos rostos da SIC Notícias, pediu a demissão. Ela estava há 15 anos ao serviço da estação. Depois da saída de Pedro Norton e, há mais tempo, de António José Teixeira, diretor do mesmo canal, parecem nomes de mais a sair da Impresa. O que estará a acontecer?
Atualização a 1 de março de 2016: a partir de hoje, mês e meio após a demissão da SIC, a jornalista é pivô da RTP3.
Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2016
Leio no Diário de Notícias que Pedro Norton deixa a presidência executiva da Impresa, grupo que detém a SIC, Visão, Expresso e Blitz, e abandona o grupo no dia 6 de março. Estava a trabalhar no grupo há 23 anos e era o presidente executivo desde outubro de 2012. O filho de Francisco Pinto Balsemão, Francisco Pedro, de 35 anos, até agora à frente do departamento de recursos humanos do grupo, assume o cargo agora deixado vago.