Segunda-feira, 30 de Novembro de 2015

Grupo angolano Newshold sai da estrutura acionista dos jornais Sol e i

Sigo a notícia agora publicado no jornal Diário de Notícias. O grupo angolano Newshold, de Álvaro Sobrinho, vai sair do diário i e do semanário Sol. Mário Ramires, subdiretor do semanário Sol em 2011 para entrar na administração da empresa, demitiu-se hoje do cargo e volta à função de jornalista. A redação, vai ter funções nos dois jornais, sofre cortes nos salários e não haverá pagamento de despesas de deslocação. Dos cerca de 120 trabalhadores, dos quais 80 jornalistas, apenas 66 terão contrato de trabalho na nova empresa, cujos acionistas ainda não se conhecem. Com a reestruturação, o semanário Sol passa a sair ao sábado e o diário i não tem edição ao fim de semana.
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2015

Música ao vivo e música gravada na rádio

No seu livro, Crisell (2012) interroga-se: a rádio nasceu para transmitir música ao vivo ou música gravada? Ora, estão aqui dois eixos estruturantes da rádio musical. E o autor distingue os programas em direto e os registos feitos pelas próprias estações, que incluíam gravações comerciais, como os discos de gramofone.

Os primeiros discos de alumínio captavam até 15 minutos de som. Na década de 1930, em especial em 1934, máquinas portáteis de gravar som foram ligadas aos noticiários e documentários na BBC. A prática de programas pré-gravados aumentou durante a II Guerra Mundial, por necessidade de não ter emissões ao vivo e em direto, temendo bombardeamentos. Tal obrigava a BBC a submeter previamente os seus textos ao ministério da Informação. A BBC fornecia também programas gravados para o ultramar, e recebia programas de auditório dos Estados Unidos, casos de Bob Hope, Bing Crosby e Glen Miller.

No pós-guerra, a tecnologia tornou-se melhor, mais barata e flexível. Se, na década de 1960, metade dos programas da BBC eram em direto, em meados da década de 1970 raramente havia já programas em direto.

Leitura: Andrew Crisell (2012). Liveness & Recording in the Media. Hampshire e Nova Iorque: Palgrave
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Domingo, 22 de Novembro de 2015

Universidade da Califórnia oferece-nos a música e o quotidiano de há um século

Com este título, Mário Lopes (Público) oferece-nos um texto sobre o trabalho começado há dez anos na Universidade da Califórnia, Santa Bárbara: a digitalização do seu arquivo de cilindros. Há "música e gravações amadoras de todo o mundo, da passagem do século XIX para o XX, agora disponíveis para todos ouvirem". Escreve ainda o jornalista: Desde outubro, uma coleção de dez mil cilindros, o formato pioneiro do registo sonoro, reproduzível no fonógrafo que Thomas Edison patenteou em 1877, está disponível para audição e download: UCSB Library. Há algumas músicas portuguesas (canções e outras) no catálogo daquela biblioteca, como O Manjerico, de Medina de Sousa e Pinto Ramos, Maria, Maria, de Eduardo Barreiros, e Agulhas e Alfinetes, de Medina de Sousa [imagem retirada da Wikipedia].

 
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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2015

O Cabo Submarino num Mar de Conetitividades

O Cabo Submarino num Mar de Conetividades é uma exposição temporária a visitar na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa, perto do Cais do Sodré. Telégrafo, comunicação telefónica, cabo coaxial e de fibra ótica e tecnologias da comunicação são elementos importantes presentes na exposição. Criada em Outubro de 1997, a Fundação Portuguesa das Comunicações tem como membros fundadores o ICP - Autoridade Nacional de Comunicações (ICP-ANACOM), os CTT - Correios de Portugal (CTT) e a Portugal Telecom (PT). A visita guiada foi conduzida por Teresa Salema, membro do Conselho Executivo da Fundação Portuguesa das Comunicações, licenciada em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores e mestre em Gestão e Administração de Empresas.

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Terça-feira, 17 de Novembro de 2015

A fotografia estenopeica em António Campos Leal e a biblioteca de Pacheco Pereira

Hoje, ao final da tarde, António Campos Leal, em A Pequena Galeria, à avenida 24 de julho, 4C, aqui em Lisboa, apresentou o seu livro Luz nos Livros, editado pela Tinta da China. Luz nos Livros foi um projeto de fotografar a biblioteca/arquivo de José Pacheco Pereira usando a técnica fotográfica conhecida por estenopeica (pinhole, em inglês), processo elementar da formação da imagem. Para o fotógrafo, "o desafio foi encontrar essa relação entre a luz do pensamento e a luz que incidia nas suas superfícies, percorrendo livros, estantes, papéis, objetos e mesas".

O livro, um belo objeto estético, inclui um texto de José Pacheco Pereira. Nas paredes da galeria, está uma exposição de Luís Pereira [em baixo, vídeo com parte da intervenção do autor. A captação de imagem e som foi feita através de telemóvel, de onde algumas deficiências no som].


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Sábado, 14 de Novembro de 2015

Deuze em Coimbra

Como comunicador, Mark Deuze é brilhante. Na sessão de encerramento do congresso da SOPCOM, a sua comunicação foi adaptada a partir dos acontecimentos sangrentos de ontem em Paris. Deuze falou do desaparecimento dos media (o videogravador, o telecomando, o lado físico de muitos equipamentos, hoje dentro do telemóvel) e da imersão nos media (o televisor de ecrã curvo para dar a sensação de estar dentro da imagem). Antigo jornalista, ele falou do novo profissional como um dj.

Desta leitura, parece-me que o jornalista já não é o repórter ou o produtor de conteúdos mas uma espécie de misturador de géneros e sem preocupações com a realidade. Contudo, não é essa a atitude das capas dos jornais parisienses e franceses de hoje, num repúdio pela tragédia de ontem. O trabalho do jornalista ainda é sobre a realidade. A visão de profeta de Deuze está a desvanecer-se?


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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015

Apresentação na secção de Rádio e Meios Sonoros - SOPCOM

Coimbra, Escola Superior de Educação. Nair Prata e colegas apresentavam a sua comunicação.

 
No intervalo, foi bom ver muitos dos colegas de investigação na área da comunicação. É o momento central celebratório - o reencontro, com a troca de informações sobre o que cada um faz e investiga. E ponto de partida para novas colaborações. 

Amanhã, sob o título Programar a rádio pública portuguesa no começo da década de 1970. O papel do Conselho de Planeamento de Programas da Emissora Nacional (CPP), falarei desse órgão consultivo interno da rádio pública. Nele assentavam os principais dirigentes da estação, incluindo o presidente da Emissora Nacional, parte da sua direção e os chefes de divisão e repartição de programas, de informação e de música clássica e ligeira. Apesar de consultivo no estatuto, o CPP era o segundo órgão de poder da estação, a quem cabia aprovar a programação semanal da estação pública. Se a direção recebia orientações políticas de cima (presidente do Conselho de Ministros, Secretaria de Estado da Informação), o CPP aplicava essas orientações políticas no terreno, caso da informação e da música emitida. Historicamente, o período correspondeu a parte do governo de Marcelo Caetano (1968-1974), que sucedeu ao longo governo ditatorial de Oliveira Salazar (1932-1968). A investigação decorre da análise qualitativa de conteúdo a 126 atas de reuniões do CPP efetuadas entre Janeiro de 1969 e Dezembro de 1971, totalizando 431 páginas de texto dactilografado.
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015

Teatro radiofónico em 1974

Em 1974, ainda havia teatro radiofónico em Rádio Clube Português, como este recorte do Diário Popular, de 21 de setembro de 1974, mostra. Era uma tempo de experimentação, e o romance de Soeiro Pereira Gomes, Esteiros, era adaptado à rádio, em 23 episódios com quinze minutos cada. Dos atores, destaco Carmen Dolores, Maria do Céu Guerra, Rogério Paulo e Mário Sargedas. A direção de produção pertencia a Fernando Curado Ribeiro.


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Terça-feira, 10 de Novembro de 2015

Museu do caminho de ferro (Madrid)

O Museo del Ferrocarril de Madrid tem como objetivos conservar, estudar e difundir o património histórico e cultural ferroviário. Atualmente, tem mais de 4800 peças que explicam a história do caminho de ferro em Espanha. Tem coleções de comboios a vapor, tração elétrica e diesel, além de salas específicas de relógios, modelismo e infraestutura. Ao domingo, uma feira de venda de comboios em miniatura e acessórios anima o espaço no Passeo de las Delicias.






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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2015

5ª Divisão MFA













A sessão de apresentação do livro 5ª Divisão MFA. Revolução e Cultura, de Manuel Begonha, foi feita no dia 22 de outubro passado, na Casa da Imprensa. Begonha (1943), licenciado em Ciências Militares Navais, curso de Engenheiro Maquinista Naval, participou em todo o processo de 25 de abril de 1974 e foi membro da 5ª Divisão do Estado Maior General das Forças Armadas, onde coordenou as campanhas de dinamização cultural.

Por isso, é importante ler a sua perspetiva da história de Portugal de há 40 anos. A minha pesquisa sobre a história da rádio em particular e dos media em geral conduziu-me ao livro. O primeiro registo da 5ª Divisão data de 28 de junho de 1974; a suspensão da 5ª Divisão seria a 25 de agosto de 1975. Dos nomes com mais impacto que ficaram dessa divisão seriam Varela Gomes, Ramiro Correia, Faria Paulino, Duran Clemente e Bouza Serrano. Este último seria presidente da Emissora Nacional.

Se o primeiro capítulo traça a história da 5ª Divisão e a perspetiva do autor quanto à história de Portugal no período de 1974-1975, os capítulos seguintes seguem aquilo a que Manuel Begonha identifica como as quatro atividades fundamentais: Comissão Dinamizadora Central (que ocupa o maior número de páginas), Centro de Esclarecimento e Informação Pública, Centro de Sociologia Militar e Centro de Relações Públicas. Do trabalho da Comissão Dinamizadora Central, o autor destaca a dinamização cultural nas áreas de artes plásticas e gráficas, teatro e fantoches, música, dança e canto, cinema, circo e apoio literário (p. 41). Begonha destaca a representação gráfica da revolução, que inclui obras de João Abel Manta, Marcelino Vespeira e Armando Alves (p. 48), e as brigadas móveis de cinema popular, coordenados, entre outros, por Vieira Marques e Vasco Granja (p. 56). As três fases das campanhas de dinamização cultural encontram-se apresentadas entre as páginas 60 e 76. Fico-me na descrição do que o autor chama de terceira fase (julho e agosto de 1975), que pretendia a descentralização dos meios de apoio técnico, a criação de órgãos regionais, a alfabetização em dez mil salas de aula e o apoio à reforma agrária (p. 73). Nessa página, Begonha dá conta da contestação militar à ação da 5ª Divisão e do episódio de jovens ligados às campanhas de alfabetização em Bragança, com rejeição popular e grande confusão.

[som de apresentação do livro 5ª Divisão MFA. Revolução e Cultura pelo autor, Manuel Begonha. Gravado com o telemóvel, o som não tem muita qualidade e audibilidade]
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