Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2015
60 horas de emissão diária na Emissora Nacional em ondas médias, curtas e de frequência modulada em 1966, como se lê na notícia do
Diário Popular de 7 de Outubro de 1966. Com 33 boletins noticiosos por dia, lidos por 31 locutores (estes apenas liam e não escreviam as notícias). Sollari Alegro, antigo secretário de Salazar e então presidente da Emissora Nacional, destacaria igualmente as produções de teatro, folhetim e conto. No caso dos folhetins, em 1965, seriam apresentados oito originais, com um custo de quase 525 contos. Era uma época em que a estação pública ainda possuía orquestra sinfónica, além da orquestra ligeira, esta responsável pela produção musical em programas ao vivo (Serão para Trabalhadores, Variedades, Nossas Melodias). Na altura, já se discutia a emissão ao longo das 24 horas do dia, processo apenas iniciado em 1970.
[obrigado a Gonçalo Pereira, por em ter dado a conhecer o recorte do jornal]
Autor: Paulo Lemos. Título:
Vida Suburbana (
Jornal de Notícias de hoje).
Domingo, 18 de Janeiro de 2015
"O número de idas ao cinema voltou a descer em 2014 e é o mais baixo dos últimos 18 anos. Tendência contrária têm as visitas aos museus: aumentaram em 2013 para um recorde desde a década de 1950. E porquê? O 25 de Abril, a qualificação da população, o turismo e a internet ajudam a explicar essas evoluções" (
http://expresso.sapo.pt/visitar-um-museu-ja-e-quase-tao-comum-como-ir-ao-cinema=f904308#ixzz3PHEQFvDz). Isto é, 12 milhões de espectadores de cinema em 2014 (dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual) contra 11 milhões de visitantes dos museus em 2013 (dados do Instituto Nacional de Estatística).
Sábado, 17 de Janeiro de 2015
"O circuito dos famosos: dos ecrãs para as revistas cor-de-rosa. As revistas cor-de-rosa revelam nas capas o seu total parasitismo em relação à TV. Segundo um levantamento da Sábado, foram capas em 2014 na Flash, Nova Gente, VIP, Caras, Lux, TVMais e TVGuia: Cristina Ferreira (38 vezes), Judite Sousa (26), Bárbara Guimarães (17), Tony Carreira (15), Cláudia Vieira (11), Rita Pereira (10). O único homem da lista, Carreira, também é uma figura da TV, onde está sempre presente, como «namorado das mães de Portugal». Como os leitores destas revistas não conhecem bem senão caras da TV, as revistas ficam-se por aí" (Eduardo Cintra Torres, Correio da Manhã, 4.1.2015). Falta explicar a ligação das revistas aos grupos das televisões para compreender melhor a teia de interesses mediáticos.
Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2015
Em Portugal, realizou-se um importante encontro nacional sobre património industrial em 1986, reunindo os animadores de uma nova área, a da arqueologia industrial. Dos membros activos do encontro, recordo José Amado Mendes, Jorge Custódio e José Lopes Cordeiro. Então, eu estava a trabalhar sobre a história das telecomunicações em Portugal, tendo analisado alguns suportes visuais e cartazes da actividade ao longo das décadas de 1930 e 1940.
O universo das comunicações faz parte da minha vida profissional desde há 40 anos. Por isso, me lembrei da imagem à esquerda. Não sei o percurso posterior do fotografado e do fotógrafo mas lembro-me das condições da fotografia e do local, possivelmente feita no ano de 1989, ainda estava eu engajado na actividade de arqueologia industrial. O mecânico aqui presente juntava fios de cobre para novas ligações telefónicas num longo repartidor, trabalho minucioso e monótono de soldar com um ferro apropriado. Por baixo do sítio onde solda, um folha de papel grosso funciona como local de aparo das parcelas desperdiçadas de solda, ao lado de um documento onde tem a informação sobre o trabalho em execução. Num tempo anterior, ele usava um fato macaco de cor azulada mas aparece aqui com roupa de uso pessoal.
Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015
As indústrias criativas, segundo o Department for Culture, Media and Sport (DCMS), tiveram um crescimento de quase 10% no sector criativo do Reino Unido, valendo 76,9 milhões em 2013. O sector inclui cinema, televisão, música, artes, arquitectura, design gráfico e publicidade. Entre os factores que impulsionaram a indústria nesse ano, o DCMS destacou os Jogos Olímpicos, com reduções ou isenções fiscais, a série televisiva americana A Guerra dos Tronos (Game of Thrones) e filmes como Gravity.
Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2015
A exposição
Génesis, de Sebastião Salgado, estará patente na Cordoaria Nacional (Lisboa), a partir de Abril (e até Agosto de 2015). De acordo com a organização da exposição, "Com curadoria de Lélia Wanick Salgado, a exposição é composta por 245 fotografias de grande formato e é uma visão pessoal sobre os últimos redutos, naturais e humanos, de um planeta ameaçado. Os «ambientes intocados» retratados em
Génesis contrastam à primeira vista com os anteriores trabalhos de Sebastião Salgado, mas fazem na realidade o contraponto perfeito com a massificação do trabalho, as migrações e a industrialização globalizada". Além disso, o documentário
O Sal da Terra, de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado sobre o fotógrafo, será estreado a 9 de Abril.
Nota sobre a fotografia: as mulheres mursi e surma são as últimas mulheres do mundo a usar discos para estender os lábios. Dargui, povoação mursi no Parque Nacional Mago, perto de Jinka. Etiópia. 2007
Rosamund Davies e Gauti Sightorsson editaram
Introducing the Creative Industries. From Theory to Practice em 2013. É um manual adequado para quem quer ensinar indústrias criativas e culturais, dividido em três partes, além de uma introdução e de um útil glossário no final do volume.
Trabalhar nas indústrias criativas, produção e circulação de projectos e economia criativa são os temas fundamentais do livro. Destaco tópicos envolvidos nos capítulos: propriedade e empreendedorismo, criatividade, modelos de produção e circulação de bens culturais, financiamento, patrocínios e mecenato e constante mudança na área.
Colecionador Orlando José
Local: Casa dos Condes, Biblioteca Municipal de AlcoutimHorário: De segunda a sexta-feira, entre as 08:30 e as 16:30Organização: Município de Alcoutim
Terça-feira, 13 de Janeiro de 2015
Eu nunca pensaria juntar Paula Rego e Rafael Bordalo Pinheiro, como a exposição
Paródias (curadoria de Catarina Alfaro), mas essa relação permite compreender melhor os valores, as formas e as mensagens da obra da pintora radicada em Londres. Ela funciona como a hospedeira da obra de Bordalo Pinheiro, a lente pela qual o olhamos. As inquietações políticas em Paula Rego são mais subtis que as de Rafael Bordalo Pinheiro, os quadros daquele de índole mais cultural e universal, as obras deste de carácter mais temporal e local sobre o quotidiano político. A alegoria, a metáfora e a alusão visual nela corresponde ao comentário escrito nele. Mas permanece o mesmo mundo antropomórfico, um reino animal de gestos e comportamentos próprios, a referência permanente à ópera, como
Aida,
Rigoletto e
La Traviata (Rafael Bordalo Pinheiro passara pelo teatro como actor e figurinista). Isso quer dizer que o retrato e a caricatura são representações - como no teatro - indo da sátira à comédia e à tragédia.