Sábado, 31 de Maio de 2008

A MINHA LEITURA DO LIVRO DE JOSÉ MIGUEL SARDICA (TWENTIETH CENTURY PORTUGAL. A HISTORICAL OVERVIEW)


É, como o autor o enuncia, um livro síntese para uma audiência estrangeira (alunos de doutoramento americanos, em 2007) (pp. 10-11). Logo, não há investigação nova mas uma perspectiva de abrangência como o subtítulo indica: historical overview).

Nesse sentido, é um texto muito cartesiano, arrumando a História em períodos bem definidos, com datas-chave – 1910, 1917, 1926, 1933, 1968, 1974, 1976, 1986 (p. 11; p. 100) –, ao identificar dez regimes políticos diferentes desde o absolutismo de 1820 por comparação com a situação nos Estados Unidos e no Reino Unido. Dentro dos três regimes políticos existentes no século XX, José Miguel Sardica distingue três momentos em cada um desses regimes, numa linha historicista hegeliana ou que aceita a perspectiva biológica de nascimento, crescimento/maturação e envelhecimento/morte.

Assim, a Primeira República divide-se em Velha República (1910-1917), com a figura tutelar de Afonso Costa, consulado de Sidónio (1917-1918) e Nova Velha República (1919-1926) (p. 31).

Depois, o Estado Novo: 1933-1945, 1945-1961 e 1961-1974 (p. 65). Aqui, percebem-se o período de Constituição de 1933 ao final da II Guerra Mundial, o período subsequente até ao annus horriblis de 1961 (assalto ao navio Santa Maria por Henrique Galvão, começo da guerra colonial em Angola, invasão e perda dos territórios de Goa, Damão e Diu na Índia, tentativa de golpe de estado pelo próprio ministro da Defesa) e a queda do regime em 1974.

Já o terceiro período é dividido por Sardica em anos da revolução (1974-1976), década da consolidação (1976-1986) e era da integração europeia (depois de 1986) (p. 85).

Livro pedagógico, trata-se, por isso, de um livro muito útil. Autor com uma cultura muito vasta e sólida da História da segunda metade do século XIX, este livro é também uma ilustração do seu conhecimento sobre o século mais próximo de nós. A leitura do século XX é necessariamente complexa, cuja interpretação o historiador procura ser equilibrada. Nomeadamente a análise que faz às críticas à Igreja Católica pelos dirigentes da Primeira República. José Miguel Sardica separa as suas fortes convicções religiosas da análise rigorosa e isenta do historiador. Ele elabora, a meu ver, a forma moderna de escrever História, livre dos preconceitos ideológicos que rodeiam os historiadores identificados com o regime do Estado Novo (a historiografia do tempo de Salazar, que exorcisou a República de 1910) e com a esquerda radical (comunistas e grupo de historiadores em redor de Fernando Rosas, que decretaram o período pós 1926 como de total escuridão e isolamento, em busca da compreensão de acontecimentos como as adesões do país a instituições internacionais como EFTA, ONU e OTAN).

Claro que vale a pena seguir a interpretação feita por Sardica quanto ao salazarismo enquanto regime autoritário mas não fascista (pp. 57-60), um dos pontos que levantará, certamente, mais polémica. Outro ponto passível de discussão é o das leituras do espírito de Abril (de 1974), em que Mário Soares é o Kerenski da revolução portuguesa e Álvaro Cunhal o Lenine português (p. 82). E a dimensão das páginas de texto - doze em 93 - dedicadas à compreensão do salazarismo, embora seja certo que Salazar foi a figura que mais tempo ocupou a governação do país no século passado (pp. 47-63).


Num texto sintético, ficam assinaladas as grandes estruturas mas escasseiam os pormenores ou as áreas que não as da pura interpretação dos factos. À história política e seus principais acontecimentos e agentes sociais faltam a história económica e cultural. E, igualmente, a história dos media, que o leitor gostaria de ver contemplada. Quem sabe se vai haver um esforço futuro nesse sentido?

O texto agora publicado pela Universidade Católica Editora é completado com acrónimos (importantes para um leitor estrangeiro compreender as siglas de partidos políticos ou instituições portuguesas), uma cronologia (curiosamente começada em 1889, com o nascimento de Salazar, futuro ditador nacional, e a morte do rei Luís I, e concluída com o tratado europeu de Lisboa, em 2007) e curtas biografias de 17 principais figuras políticas nacionais ao longo do século.
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É, como o autor o enuncia, um livro síntese para uma audiência estrangeira (alunos de doutoramento americanos, em 2007) (pp. 10-11). Logo, não há investigação nova mas uma perspectiva de abrangência como o subtítulo indica: historical overview).

Nesse sentido, é um texto muito cartesiano, arrumando a História em períodos bem definidos, com datas-chave – 1910, 1917, 1926, 1933, 1968, 1974, 1976, 1986 (p. 11; p. 100) –, ao identificar dez regimes políticos diferentes desde o absolutismo de 1820 por comparação com a situação nos Estados Unidos e no Reino Unido. Dentro dos três regimes políticos existentes no século XX, José Miguel Sardica distingue três momentos em cada um desses regimes, numa linha historicista hegeliana ou que aceita a perspectiva biológica de nascimento, crescimento/maturação e envelhecimento/morte.

Assim, a Primeira República divide-se em Velha República (1910-1917), com a figura tutelar de Afonso Costa, consulado de Sidónio (1917-1918) e Nova Velha República (1919-1926) (p. 31).

Depois, o Estado Novo: 1933-1945, 1945-1961 e 1961-1974 (p. 65). Aqui, percebem-se o período de Constituição de 1933 ao final da II Guerra Mundial, o período subsequente até ao annus horriblis de 1961 (assalto ao navio Santa Maria por Henrique Galvão, começo da guerra colonial em Angola, invasão e perda dos territórios de Goa, Damão e Diu na Índia, tentativa de golpe de estado pelo próprio ministro da Defesa) e a queda do regime em 1974.

Já o terceiro período é dividido por Sardica em anos da revolução (1974-1976), década da consolidação (1976-1986) e era da integração europeia (depois de 1986) (p. 85).

Livro pedagógico, trata-se, por isso, de um livro muito útil. Autor com uma cultura muito vasta e sólida da História da segunda metade do século XIX, este livro é também uma ilustração do seu conhecimento sobre o século mais próximo de nós. A leitura do século XX é necessariamente complexa, cuja interpretação o historiador procura ser equilibrada. Nomeadamente a análise que faz às críticas à Igreja Católica pelos dirigentes da Primeira República. José Miguel Sardica separa as suas fortes convicções religiosas da análise rigorosa e isenta do historiador. Ele elabora, a meu ver, a forma moderna de escrever História, livre dos preconceitos ideológicos que rodeiam os historiadores identificados com o regime do Estado Novo (a historiografia do tempo de Salazar, que exorcisou a República de 1910) e com a esquerda radical (comunistas e grupo de historiadores em redor de Fernando Rosas, que decretaram o período pós 1926 como de total escuridão e isolamento, em busca da compreensão de acontecimentos como as adesões do país a instituições internacionais como EFTA, ONU e OTAN).

Claro que vale a pena seguir a interpretação feita por Sardica quanto ao salazarismo enquanto regime autoritário mas não fascista (pp. 57-60), um dos pontos que levantará, certamente, mais polémica. Outro ponto passível de discussão é o das leituras do espírito de Abril (de 1974), em que Mário Soares é o Kerenski da revolução portuguesa e Álvaro Cunhal o Lenine português (p. 82). E a dimensão das páginas de texto - doze em 93 - dedicadas à compreensão do salazarismo, embora seja certo que Salazar foi a figura que mais tempo ocupou a governação do país no século passado (pp. 47-63).


Num texto sintético, ficam assinaladas as grandes estruturas mas escasseiam os pormenores ou as áreas que não as da pura interpretação dos factos. À história política e seus principais acontecimentos e agentes sociais faltam a história económica e cultural. E, igualmente, a história dos media, que o leitor gostaria de ver contemplada. Quem sabe se vai haver um esforço futuro nesse sentido?

O texto agora publicado pela Universidade Católica Editora é completado com acrónimos (importantes para um leitor estrangeiro compreender as siglas de partidos políticos ou instituições portuguesas), uma cronologia (curiosamente começada em 1889, com o nascimento de Salazar, futuro ditador nacional, e a morte do rei Luís I, e concluída com o tratado europeu de Lisboa, em 2007) e curtas biografias de 17 principais figuras políticas nacionais ao longo do século.
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Assim, a Primeira República divide-se em Velha República (1910-1917), com a figura tutelar de Afonso Costa, consulado de Sidónio (1917-1918) e Nova Velha República (1919-1926) (p. 31).

Depois, o Estado Novo: 1933-1945, 1945-1961 e 1961-1974 (p. 65). Aqui, percebem-se o período de Constituição de 1933 ao final da II Guerra Mundial, o período subsequente até ao annus horriblis de 1961 (assalto ao navio Santa Maria por Henrique Galvão, começo da guerra colonial em Angola, invasão e perda dos territórios de Goa, Damão e Diu na Índia, tentativa de golpe de estado pelo próprio ministro da Defesa) e a queda do regime em 1974.

Já o terceiro período é dividido por Sardica em anos da revolução (1974-1976), década da consolidação (1976-1986) e era da integração europeia (depois de 1986) (p. 85).

Livro pedagógico, trata-se, por isso, de um livro muito útil. Autor com uma cultura muito vasta e sólida da História da segunda metade do século XIX, este livro é também uma ilustração do seu conhecimento sobre o século mais próximo de nós. A leitura do século XX é necessariamente complexa, cuja interpretação o historiador procura ser equilibrada. Nomeadamente a análise que faz às críticas à Igreja Católica pelos dirigentes da Primeira República. José Miguel Sardica separa as suas fortes convicções religiosas da análise rigorosa e isenta do historiador. Ele elabora, a meu ver, a forma moderna de escrever História, livre dos preconceitos ideológicos que rodeiam os historiadores identificados com o regime do Estado Novo (a historiografia do tempo de Salazar, que exorcisou a República de 1910) e com a esquerda radical (comunistas e grupo de historiadores em redor de Fernando Rosas, que decretaram o período pós 1926 como de total escuridão e isolamento, em busca da compreensão de acontecimentos como as adesões do país a instituições internacionais como EFTA, ONU e OTAN).

Claro que vale a pena seguir a interpretação feita por Sardica quanto ao salazarismo enquanto regime autoritário mas não fascista (pp. 57-60), um dos pontos que levantará, certamente, mais polémica. Outro ponto passível de discussão é o das leituras do espírito de Abril (de 1974), em que Mário Soares é o Kerenski da revolução portuguesa e Álvaro Cunhal o Lenine português (p. 82). E a dimensão das páginas de texto - doze em 93 - dedicadas à compreensão do salazarismo, embora seja certo que Salazar foi a figura que mais tempo ocupou a governação do país no século passado (pp. 47-63).


Num texto sintético, ficam assinaladas as grandes estruturas mas escasseiam os pormenores ou as áreas que não as da pura interpretação dos factos. À história política e seus principais acontecimentos e agentes sociais faltam a história económica e cultural. E, igualmente, a história dos media, que o leitor gostaria de ver contemplada. Quem sabe se vai haver um esforço futuro nesse sentido?

O texto agora publicado pela Universidade Católica Editora é completado com acrónimos (importantes para um leitor estrangeiro compreender as siglas de partidos políticos ou instituições portuguesas), uma cronologia (curiosamente começada em 1889, com o nascimento de Salazar, futuro ditador nacional, e a morte do rei Luís I, e concluída com o tratado europeu de Lisboa, em 2007) e curtas biografias de 17 principais figuras políticas nacionais ao longo do século.
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Nesse sentido, é um texto muito cartesiano, arrumando a História em períodos bem definidos, com datas-chave – 1910, 1917, 1926, 1933, 1968, 1974, 1976, 1986 (p. 11; p. 100) –, ao identificar dez regimes políticos diferentes desde o absolutismo de 1820 por comparação com a situação nos Estados Unidos e no Reino Unido. Dentro dos três regimes políticos existentes no século XX, José Miguel Sardica distingue três momentos em cada um desses regimes, numa linha historicista hegeliana ou que aceita a perspectiva biológica de nascimento, crescimento/maturação e envelhecimento/morte.

Assim, a Primeira República divide-se em Velha República (1910-1917), com a figura tutelar de Afonso Costa, consulado de Sidónio (1917-1918) e Nova Velha República (1919-1926) (p. 31).

Depois, o Estado Novo: 1933-1945, 1945-1961 e 1961-1974 (p. 65). Aqui, percebem-se o período de Constituição de 1933 ao final da II Guerra Mundial, o período subsequente até ao annus horriblis de 1961 (assalto ao navio Santa Maria por Henrique Galvão, começo da guerra colonial em Angola, invasão e perda dos territórios de Goa, Damão e Diu na Índia, tentativa de golpe de estado pelo próprio ministro da Defesa) e a queda do regime em 1974.

Já o terceiro período é dividido por Sardica em anos da revolução (1974-1976), década da consolidação (1976-1986) e era da integração europeia (depois de 1986) (p. 85).

Livro pedagógico, trata-se, por isso, de um livro muito útil. Autor com uma cultura muito vasta e sólida da História da segunda metade do século XIX, este livro é também uma ilustração do seu conhecimento sobre o século mais próximo de nós. A leitura do século XX é necessariamente complexa, cuja interpretação o historiador procura ser equilibrada. Nomeadamente a análise que faz às críticas à Igreja Católica pelos dirigentes da Primeira República. José Miguel Sardica separa as suas fortes convicções religiosas da análise rigorosa e isenta do historiador. Ele elabora, a meu ver, a forma moderna de escrever História, livre dos preconceitos ideológicos que rodeiam os historiadores identificados com o regime do Estado Novo (a historiografia do tempo de Salazar, que exorcisou a República de 1910) e com a esquerda radical (comunistas e grupo de historiadores em redor de Fernando Rosas, que decretaram o período pós 1926 como de total escuridão e isolamento, em busca da compreensão de acontecimentos como as adesões do país a instituições internacionais como EFTA, ONU e OTAN).

Claro que vale a pena seguir a interpretação feita por Sardica quanto ao salazarismo enquanto regime autoritário mas não fascista (pp. 57-60), um dos pontos que levantará, certamente, mais polémica. Outro ponto passível de discussão é o das leituras do espírito de Abril (de 1974), em que Mário Soares é o Kerenski da revolução portuguesa e Álvaro Cunhal o Lenine português (p. 82). E a dimensão das páginas de texto - doze em 93 - dedicadas à compreensão do salazarismo, embora seja certo que Salazar foi a figura que mais tempo ocupou a governação do país no século passado (pp. 47-63).


Num texto sintético, ficam assinaladas as grandes estruturas mas escasseiam os pormenores ou as áreas que não as da pura interpretação dos factos. À história política e seus principais acontecimentos e agentes sociais faltam a história económica e cultural. E, igualmente, a história dos media, que o leitor gostaria de ver contemplada. Quem sabe se vai haver um esforço futuro nesse sentido?

O texto agora publicado pela Universidade Católica Editora é completado com acrónimos (importantes para um leitor estrangeiro compreender as siglas de partidos políticos ou instituições portuguesas), uma cronologia (curiosamente começada em 1889, com o nascimento de Salazar, futuro ditador nacional, e a morte do rei Luís I, e concluída com o tratado europeu de Lisboa, em 2007) e curtas biografias de 17 principais figuras políticas nacionais ao longo do século.
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Nesse sentido, é um texto muito cartesiano, arrumando a História em períodos bem definidos, com datas-chave – 1910, 1917, 1926, 1933, 1968, 1974, 1976, 1986 (p. 11; p. 100) –, ao identificar dez regimes políticos diferentes desde o absolutismo de 1820 por comparação com a situação nos Estados Unidos e no Reino Unido. Dentro dos três regimes políticos existentes no século XX, José Miguel Sardica distingue três momentos em cada um desses regimes, numa linha historicista hegeliana ou que aceita a perspectiva biológica de nascimento, crescimento/maturação e envelhecimento/morte.

Assim, a Primeira República divide-se em Velha República (1910-1917), com a figura tutelar de Afonso Costa, consulado de Sidónio (1917-1918) e Nova Velha República (1919-1926) (p. 31).

Depois, o Estado Novo: 1933-1945, 1945-1961 e 1961-1974 (p. 65). Aqui, percebem-se o período de Constituição de 1933 ao final da II Guerra Mundial, o período subsequente até ao annus horriblis de 1961 (assalto ao navio Santa Maria por Henrique Galvão, começo da guerra colonial em Angola, invasão e perda dos territórios de Goa, Damão e Diu na Índia, tentativa de golpe de estado pelo próprio ministro da Defesa) e a queda do regime em 1974.

Já o terceiro período é dividido por Sardica em anos da revolução (1974-1976), década da consolidação (1976-1986) e era da integração europeia (depois de 1986) (p. 85).

Livro pedagógico, trata-se, por isso, de um livro muito útil. Autor com uma cultura muito vasta e sólida da História da segunda metade do século XIX, este livro é também uma ilustração do seu conhecimento sobre o século mais próximo de nós. A leitura do século XX é necessariamente complexa, cuja interpretação o historiador procura ser equilibrada. Nomeadamente a análise que faz às críticas à Igreja Católica pelos dirigentes da Primeira República. José Miguel Sardica separa as suas fortes convicções religiosas da análise rigorosa e isenta do historiador. Ele elabora, a meu ver, a forma moderna de escrever História, livre dos preconceitos ideológicos que rodeiam os historiadores identificados com o regime do Estado Novo (a historiografia do tempo de Salazar, que exorcisou a República de 1910) e com a esquerda radical (comunistas e grupo de historiadores em redor de Fernando Rosas, que decretaram o período pós 1926 como de total escuridão e isolamento, em busca da compreensão de acontecimentos como as adesões do país a instituições internacionais como EFTA, ONU e OTAN).

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A revista MediaXXI, dirigida por Paulo Faustino, tem um novo visual e novos (ou mais precisos) objectivos e públicos-alvo.

Editado agora o número 93 e entrando no 12º ano de actividade, Faustino indica que a "publicação sempre conferiu especial importância a conteúdos com interesse para os profissionais, professores e investigadores ligados à comunicação", projecto que pretende ampliar com a inclusão de artigos científicos. Comunicação, media e entretenimento - e internacionalização - são, agora, o centro da publicação, como continua no seu editorial "Reposicionar e consolidar". Com concurso de três aspectos fundamentais:

  • 1) necessidade de informação para as instituições de mdia mas com argumentação científica, 2) informação científica para as instituições de ensino mas com compreensão da indústria, e 3) consolidação da comunicação como driver da sociedade da informação e do conhecimento.
Entre outros, a revista traz artigos de Francisco Rui Cádima, Alan Albarran, Alfonso Sanchéz-Tabernero, Steve Wildman, Robert Picard, Angela Powers e Rita Figueiras.
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  • 1) necessidade de informação para as instituições de mdia mas com argumentação científica, 2) informação científica para as instituições de ensino mas com compreensão da indústria, e 3) consolidação da comunicação como driver da sociedade da informação e do conhecimento.
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