Segunda-feira, 1 de Maio de 2006

EMISSÕES ANALÓGICAS ACABAM NA TELEVISÃO HOLANDESA

Anteontem, o Media Network Weblog publicou uma mensagem em que se anuncia o fim das transmissões de televisão analógica na Holanda. O switch-off surgirá na noite de 29 para 30 de Outubro deste ano, segundo declaração do ministro dos Assuntos Económicos, Laurens Jan Brinkhorst, e do vice-ministro para a Educação, Cultura e Ciência, Medy van der Laan. Inicialmente prevista para o começo deste ano, a medida foi adiada porque não havia tempo suficiente para os telespectadores encontrarem uma alternativa em termos de recepção.

A partir dos finais de Outubro, a televisão digital terrestre (TDT) chegará a todo o país. Neste momento, apenas os canais públicos disponibilizam tal meio de comunicação, esperando-se para breve que as estações comerciais holandesas e algumas não holandesas comecem a operar em TDT. A plataforma TDT será uma alternativa ao cabo, satélite e internet.

Segundo o blogue Media Network Weblog, poucas pessoas na Holanda ainda usam televisão analógica, que custa €11 milhões para continuar a funcionar. Entre 2002 e 2006, o número de lares que recebiam esse tipo de televisão foi reduzido para metade, de 520 mil para 220 mil. Destes, cerca de 28 mil não estão abrangidos por redes de cabo. Daí haver necessidade de fazer uma forte campanha publicitária para os habitantes desses lares aderirem à TDT.

A decisão governamental torna a Holanda o primeiro país europeu a passar totalmente da televisão analógica para a digital. E Portugal, em que a licença privada de TDT continua em stand by? Seremos os últimos da União Europeia, deixando-nos mesmo ultrapassar pelos países que aderiram recentemente à união?
publicado por industrias-culturais às 10:47
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Anteontem, o Media Network Weblog publicou uma mensagem em que se anuncia o fim das transmissões de televisão analógica na Holanda. O switch-off surgirá na noite de 29 para 30 de Outubro deste ano, segundo declaração do ministro dos Assuntos Económicos, Laurens Jan Brinkhorst, e do vice-ministro para a Educação, Cultura e Ciência, Medy van der Laan. Inicialmente prevista para o começo deste ano, a medida foi adiada porque não havia tempo suficiente para os telespectadores encontrarem uma alternativa em termos de recepção.

A partir dos finais de Outubro, a televisão digital terrestre (TDT) chegará a todo o país. Neste momento, apenas os canais públicos disponibilizam tal meio de comunicação, esperando-se para breve que as estações comerciais holandesas e algumas não holandesas comecem a operar em TDT. A plataforma TDT será uma alternativa ao cabo, satélite e internet.

Segundo o blogue Media Network Weblog, poucas pessoas na Holanda ainda usam televisão analógica, que custa €11 milhões para continuar a funcionar. Entre 2002 e 2006, o número de lares que recebiam esse tipo de televisão foi reduzido para metade, de 520 mil para 220 mil. Destes, cerca de 28 mil não estão abrangidos por redes de cabo. Daí haver necessidade de fazer uma forte campanha publicitária para os habitantes desses lares aderirem à TDT.

A decisão governamental torna a Holanda o primeiro país europeu a passar totalmente da televisão analógica para a digital. E Portugal, em que a licença privada de TDT continua em stand by? Seremos os últimos da União Europeia, deixando-nos mesmo ultrapassar pelos países que aderiram recentemente à união?
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Anteontem, o Media Network Weblog publicou uma mensagem em que se anuncia o fim das transmissões de televisão analógica na Holanda. O switch-off surgirá na noite de 29 para 30 de Outubro deste ano, segundo declaração do ministro dos Assuntos Económicos, Laurens Jan Brinkhorst, e do vice-ministro para a Educação, Cultura e Ciência, Medy van der Laan. Inicialmente prevista para o começo deste ano, a medida foi adiada porque não havia tempo suficiente para os telespectadores encontrarem uma alternativa em termos de recepção.

A partir dos finais de Outubro, a televisão digital terrestre (TDT) chegará a todo o país. Neste momento, apenas os canais públicos disponibilizam tal meio de comunicação, esperando-se para breve que as estações comerciais holandesas e algumas não holandesas comecem a operar em TDT. A plataforma TDT será uma alternativa ao cabo, satélite e internet.

Segundo o blogue Media Network Weblog, poucas pessoas na Holanda ainda usam televisão analógica, que custa €11 milhões para continuar a funcionar. Entre 2002 e 2006, o número de lares que recebiam esse tipo de televisão foi reduzido para metade, de 520 mil para 220 mil. Destes, cerca de 28 mil não estão abrangidos por redes de cabo. Daí haver necessidade de fazer uma forte campanha publicitária para os habitantes desses lares aderirem à TDT.

A decisão governamental torna a Holanda o primeiro país europeu a passar totalmente da televisão analógica para a digital. E Portugal, em que a licença privada de TDT continua em stand by? Seremos os últimos da União Europeia, deixando-nos mesmo ultrapassar pelos países que aderiram recentemente à união?
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A partir dos finais de Outubro, a televisão digital terrestre (TDT) chegará a todo o país. Neste momento, apenas os canais públicos disponibilizam tal meio de comunicação, esperando-se para breve que as estações comerciais holandesas e algumas não holandesas comecem a operar em TDT. A plataforma TDT será uma alternativa ao cabo, satélite e internet.

Segundo o blogue Media Network Weblog, poucas pessoas na Holanda ainda usam televisão analógica, que custa €11 milhões para continuar a funcionar. Entre 2002 e 2006, o número de lares que recebiam esse tipo de televisão foi reduzido para metade, de 520 mil para 220 mil. Destes, cerca de 28 mil não estão abrangidos por redes de cabo. Daí haver necessidade de fazer uma forte campanha publicitária para os habitantes desses lares aderirem à TDT.

A decisão governamental torna a Holanda o primeiro país europeu a passar totalmente da televisão analógica para a digital. E Portugal, em que a licença privada de TDT continua em stand by? Seremos os últimos da União Europeia, deixando-nos mesmo ultrapassar pelos países que aderiram recentemente à união?
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A partir dos finais de Outubro, a televisão digital terrestre (TDT) chegará a todo o país. Neste momento, apenas os canais públicos disponibilizam tal meio de comunicação, esperando-se para breve que as estações comerciais holandesas e algumas não holandesas comecem a operar em TDT. A plataforma TDT será uma alternativa ao cabo, satélite e internet.

Segundo o blogue Media Network Weblog, poucas pessoas na Holanda ainda usam televisão analógica, que custa €11 milhões para continuar a funcionar. Entre 2002 e 2006, o número de lares que recebiam esse tipo de televisão foi reduzido para metade, de 520 mil para 220 mil. Destes, cerca de 28 mil não estão abrangidos por redes de cabo. Daí haver necessidade de fazer uma forte campanha publicitária para os habitantes desses lares aderirem à TDT.

A decisão governamental torna a Holanda o primeiro país europeu a passar totalmente da televisão analógica para a digital. E Portugal, em que a licença privada de TDT continua em stand by? Seremos os últimos da União Europeia, deixando-nos mesmo ultrapassar pelos países que aderiram recentemente à união?
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SOBRE A HISTÓRIA DE PORTUGAL E DA REPÚBLICA CHECA

No momento presente, discutem-se as razões que levaram a República Checa a ultrapassar Portugal em termos de riqueza dentro da União Europeia. Talvez a história dos dois países e os seus usos e cultura política expliquem esta alteração.


O modo como olhamos a nossa história, salvo as diferentes interpretações do Estado Novo e da democracia pós 1974, tem-se mantido semelhante. A longa monarquia absolutista, a monarquia constitucional, a república e a ditadura, a campanha cristã de reconquista do território nacional, a povoação, as descobertas, o ouro do Brasil e as guerras coloniais têm sido ensinadas a gerações sucessivas. Em 1975, o país ficou mais pequeno, ao perder as colónias - como perdera o Brasil no século XIX -, mas é cosmopolita, com ilustram as diferenças raciais dos indivíduos que se cruzam quotidianamente em Lisboa.

Já a forma de contar a história aos checos tem sofrido profundas revisões. Eventualmente, o termo revisionismo não chega para dar conta dessas alterações. Pensando apenas no século XX: o país, a Checoslováquia, aparece em 1918, divorciado do desaparecido império austro-húngaro, sofre uma visão distinta com a ascensão comunista, inspirada pela Rússia soviética, em 1945-1948. Depois, no final da década de 1980, primeiro a mudança de regime político e, logo depois, a separação da Eslováquia, que representava um terço do país e da população (5 milhões), obriga a nova reformulação da história. Pergunta: quem são os seus heróis, dirigentes, povo, territórios, cultura? Há sempre um lado de alteração ou reescrita da história, consoante os checos governam ou são governados, ilustrando o princípio pós-moderno de ausência da estabilidade ou do assentimento do sentido do efémero. Mas não existe o cosmopolitismo que nós temos, pois a perda da tutela imperial ou da Eslováquia parece indiciar o regresso à pureza racial.

Ambos os países perderam territórios. Mas, enquanto em Portugal, os países emancipados mantêm ligações profundas a nós, a República Checa e a Eslováquia parecem ainda não ter saído do espanto da separação por mútuo consentimento. É certo que Václav Havel deixou de ser o traidor por ter permitido a separação, conforme se pensou inicialmente, pois a violentíssima implosão na vizinha Jugoslávia veio afastar esses sentimentos. Mais vale uma separação amigável que sangrenta.

Há outra diferença. Portugal fica no extremo do continente, apenas com um vizinho poderoso ao lado. O mar dá-nos força e levou-nos a engendrar a saída a oeste, à procura de outros mares e civilizações. A República Checa fica no centro da Europa, rodeada de países poderosos (Alemanha, Polónia, o antigo império austro-húngaro e, mais longe no tempo, a Turquia e a Grécia, além da Rússia). Por isso, precisou de ter permanentemente uma capacidade negocial para sobreviver, pagando aos invasores para não destruirem o seu território. A prata das minas checas servia para isso, apoiada nos terrenos fertéis, que contribuem para uma dieta de pão, batatas, carne de vaca e cerveja da Boémia. Se, a nós, o mar acalenta as iras contra a Espanha, para os checos a diplomacia é o equilíbrio perante a força dos outros.

A República Checa tem elementos peculiares. Primeiro, de receio: não falam de Chéquia, nome que seria mais apropriado para o país, mas isso seria elevar a região da Boémia em detrimento das regiões da Morávia e da Silésia, esta em continuidade com a Polónia. Depois, surgem as ideias iluministas dos checos: Pablo Neruda retirou o nome de um intelectual e artista checo; o dólar nasceu na República Checa, sendo a moeda depois levada para o continente americano; no final da idade média, os políticos checos tiveram a ideia de união europeia, tendo mandado emissários a toda a Europa, incluindo Portugal. Em terceiro lugar, a organização das livrarias: estas possuem uma secção ligada a assuntos militares, do mesmo modo que as livrarias de Nova Iorque dão relevo aos estudos de género e gay & lesbian.

O nível de vida na República Checa é mais baixo que o nosso, os seus habitantes possuem um bom nível escolar (nos restaurantes de Praga, os empregados mostram cardápios em inglês e atendem os clientes nessa língua), o espírito de trabalho intenso continua a ser como no tempo do regime comunista. Certamente por isso, muito recentemente, uma fábrica da Hyundai ficou numa cidadezinha satélite de Praga.


Afinal, os checos eram ricos antes das convulsões do século XX e mantêm-se optimistas (mas realistas) e bons negociadores com os outros povos; talvez isso sejam características que os tenham impulsionado a ultrapassar Portugal em termos de riqueza.






























Legenda das imagens e vídeos: 1) pratos checos (e cerveja), 2) praça da cidade velha, 3) cidade velha, 4) relógio astronómico, 5) ponte Carlos, 6) rio junto à ponte Carlos, 7) viagem no eléctrico da linha 11, 8) rua Kafka e casa na rua dos ourives, nº 22, onde viveu Kafka e seu actual interior.

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No momento presente, discutem-se as razões que levaram a República Checa a ultrapassar Portugal em termos de riqueza dentro da União Europeia. Talvez a história dos dois países e os seus usos e cultura política expliquem esta alteração.


O modo como olhamos a nossa história, salvo as diferentes interpretações do Estado Novo e da democracia pós 1974, tem-se mantido semelhante. A longa monarquia absolutista, a monarquia constitucional, a república e a ditadura, a campanha cristã de reconquista do território nacional, a povoação, as descobertas, o ouro do Brasil e as guerras coloniais têm sido ensinadas a gerações sucessivas. Em 1975, o país ficou mais pequeno, ao perder as colónias - como perdera o Brasil no século XIX -, mas é cosmopolita, com ilustram as diferenças raciais dos indivíduos que se cruzam quotidianamente em Lisboa.

Já a forma de contar a história aos checos tem sofrido profundas revisões. Eventualmente, o termo revisionismo não chega para dar conta dessas alterações. Pensando apenas no século XX: o país, a Checoslováquia, aparece em 1918, divorciado do desaparecido império austro-húngaro, sofre uma visão distinta com a ascensão comunista, inspirada pela Rússia soviética, em 1945-1948. Depois, no final da década de 1980, primeiro a mudança de regime político e, logo depois, a separação da Eslováquia, que representava um terço do país e da população (5 milhões), obriga a nova reformulação da história. Pergunta: quem são os seus heróis, dirigentes, povo, territórios, cultura? Há sempre um lado de alteração ou reescrita da história, consoante os checos governam ou são governados, ilustrando o princípio pós-moderno de ausência da estabilidade ou do assentimento do sentido do efémero. Mas não existe o cosmopolitismo que nós temos, pois a perda da tutela imperial ou da Eslováquia parece indiciar o regresso à pureza racial.

Ambos os países perderam territórios. Mas, enquanto em Portugal, os países emancipados mantêm ligações profundas a nós, a República Checa e a Eslováquia parecem ainda não ter saído do espanto da separação por mútuo consentimento. É certo que Václav Havel deixou de ser o traidor por ter permitido a separação, conforme se pensou inicialmente, pois a violentíssima implosão na vizinha Jugoslávia veio afastar esses sentimentos. Mais vale uma separação amigável que sangrenta.

Há outra diferença. Portugal fica no extremo do continente, apenas com um vizinho poderoso ao lado. O mar dá-nos força e levou-nos a engendrar a saída a oeste, à procura de outros mares e civilizações. A República Checa fica no centro da Europa, rodeada de países poderosos (Alemanha, Polónia, o antigo império austro-húngaro e, mais longe no tempo, a Turquia e a Grécia, além da Rússia). Por isso, precisou de ter permanentemente uma capacidade negocial para sobreviver, pagando aos invasores para não destruirem o seu território. A prata das minas checas servia para isso, apoiada nos terrenos fertéis, que contribuem para uma dieta de pão, batatas, carne de vaca e cerveja da Boémia. Se, a nós, o mar acalenta as iras contra a Espanha, para os checos a diplomacia é o equilíbrio perante a força dos outros.

A República Checa tem elementos peculiares. Primeiro, de receio: não falam de Chéquia, nome que seria mais apropriado para o país, mas isso seria elevar a região da Boémia em detrimento das regiões da Morávia e da Silésia, esta em continuidade com a Polónia. Depois, surgem as ideias iluministas dos checos: Pablo Neruda retirou o nome de um intelectual e artista checo; o dólar nasceu na República Checa, sendo a moeda depois levada para o continente americano; no final da idade média, os políticos checos tiveram a ideia de união europeia, tendo mandado emissários a toda a Europa, incluindo Portugal. Em terceiro lugar, a organização das livrarias: estas possuem uma secção ligada a assuntos militares, do mesmo modo que as livrarias de Nova Iorque dão relevo aos estudos de género e gay & lesbian.

O nível de vida na República Checa é mais baixo que o nosso, os seus habitantes possuem um bom nível escolar (nos restaurantes de Praga, os empregados mostram cardápios em inglês e atendem os clientes nessa língua), o espírito de trabalho intenso continua a ser como no tempo do regime comunista. Certamente por isso, muito recentemente, uma fábrica da Hyundai ficou numa cidadezinha satélite de Praga.


Afinal, os checos eram ricos antes das convulsões do século XX e mantêm-se optimistas (mas realistas) e bons negociadores com os outros povos; talvez isso sejam características que os tenham impulsionado a ultrapassar Portugal em termos de riqueza.






























Legenda das imagens e vídeos: 1) pratos checos (e cerveja), 2) praça da cidade velha, 3) cidade velha, 4) relógio astronómico, 5) ponte Carlos, 6) rio junto à ponte Carlos, 7) viagem no eléctrico da linha 11, 8) rua Kafka e casa na rua dos ourives, nº 22, onde viveu Kafka e seu actual interior.

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No momento presente, discutem-se as razões que levaram a República Checa a ultrapassar Portugal em termos de riqueza dentro da União Europeia. Talvez a história dos dois países e os seus usos e cultura política expliquem esta alteração.


O modo como olhamos a nossa história, salvo as diferentes interpretações do Estado Novo e da democracia pós 1974, tem-se mantido semelhante. A longa monarquia absolutista, a monarquia constitucional, a república e a ditadura, a campanha cristã de reconquista do território nacional, a povoação, as descobertas, o ouro do Brasil e as guerras coloniais têm sido ensinadas a gerações sucessivas. Em 1975, o país ficou mais pequeno, ao perder as colónias - como perdera o Brasil no século XIX -, mas é cosmopolita, com ilustram as diferenças raciais dos indivíduos que se cruzam quotidianamente em Lisboa.

Já a forma de contar a história aos checos tem sofrido profundas revisões. Eventualmente, o termo revisionismo não chega para dar conta dessas alterações. Pensando apenas no século XX: o país, a Checoslováquia, aparece em 1918, divorciado do desaparecido império austro-húngaro, sofre uma visão distinta com a ascensão comunista, inspirada pela Rússia soviética, em 1945-1948. Depois, no final da década de 1980, primeiro a mudança de regime político e, logo depois, a separação da Eslováquia, que representava um terço do país e da população (5 milhões), obriga a nova reformulação da história. Pergunta: quem são os seus heróis, dirigentes, povo, territórios, cultura? Há sempre um lado de alteração ou reescrita da história, consoante os checos governam ou são governados, ilustrando o princípio pós-moderno de ausência da estabilidade ou do assentimento do sentido do efémero. Mas não existe o cosmopolitismo que nós temos, pois a perda da tutela imperial ou da Eslováquia parece indiciar o regresso à pureza racial.

Ambos os países perderam territórios. Mas, enquanto em Portugal, os países emancipados mantêm ligações profundas a nós, a República Checa e a Eslováquia parecem ainda não ter saído do espanto da separação por mútuo consentimento. É certo que Václav Havel deixou de ser o traidor por ter permitido a separação, conforme se pensou inicialmente, pois a violentíssima implosão na vizinha Jugoslávia veio afastar esses sentimentos. Mais vale uma separação amigável que sangrenta.

Há outra diferença. Portugal fica no extremo do continente, apenas com um vizinho poderoso ao lado. O mar dá-nos força e levou-nos a engendrar a saída a oeste, à procura de outros mares e civilizações. A República Checa fica no centro da Europa, rodeada de países poderosos (Alemanha, Polónia, o antigo império austro-húngaro e, mais longe no tempo, a Turquia e a Grécia, além da Rússia). Por isso, precisou de ter permanentemente uma capacidade negocial para sobreviver, pagando aos invasores para não destruirem o seu território. A prata das minas checas servia para isso, apoiada nos terrenos fertéis, que contribuem para uma dieta de pão, batatas, carne de vaca e cerveja da Boémia. Se, a nós, o mar acalenta as iras contra a Espanha, para os checos a diplomacia é o equilíbrio perante a força dos outros.

A República Checa tem elementos peculiares. Primeiro, de receio: não falam de Chéquia, nome que seria mais apropriado para o país, mas isso seria elevar a região da Boémia em detrimento das regiões da Morávia e da Silésia, esta em continuidade com a Polónia. Depois, surgem as ideias iluministas dos checos: Pablo Neruda retirou o nome de um intelectual e artista checo; o dólar nasceu na República Checa, sendo a moeda depois levada para o continente americano; no final da idade média, os políticos checos tiveram a ideia de união europeia, tendo mandado emissários a toda a Europa, incluindo Portugal. Em terceiro lugar, a organização das livrarias: estas possuem uma secção ligada a assuntos militares, do mesmo modo que as livrarias de Nova Iorque dão relevo aos estudos de género e gay & lesbian.

O nível de vida na República Checa é mais baixo que o nosso, os seus habitantes possuem um bom nível escolar (nos restaurantes de Praga, os empregados mostram cardápios em inglês e atendem os clientes nessa língua), o espírito de trabalho intenso continua a ser como no tempo do regime comunista. Certamente por isso, muito recentemente, uma fábrica da Hyundai ficou numa cidadezinha satélite de Praga.


Afinal, os checos eram ricos antes das convulsões do século XX e mantêm-se optimistas (mas realistas) e bons negociadores com os outros povos; talvez isso sejam características que os tenham impulsionado a ultrapassar Portugal em termos de riqueza.






























Legenda das imagens e vídeos: 1) pratos checos (e cerveja), 2) praça da cidade velha, 3) cidade velha, 4) relógio astronómico, 5) ponte Carlos, 6) rio junto à ponte Carlos, 7) viagem no eléctrico da linha 11, 8) rua Kafka e casa na rua dos ourives, nº 22, onde viveu Kafka e seu actual interior.

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O modo como olhamos a nossa história, salvo as diferentes interpretações do Estado Novo e da democracia pós 1974, tem-se mantido semelhante. A longa monarquia absolutista, a monarquia constitucional, a república e a ditadura, a campanha cristã de reconquista do território nacional, a povoação, as descobertas, o ouro do Brasil e as guerras coloniais têm sido ensinadas a gerações sucessivas. Em 1975, o país ficou mais pequeno, ao perder as colónias - como perdera o Brasil no século XIX -, mas é cosmopolita, com ilustram as diferenças raciais dos indivíduos que se cruzam quotidianamente em Lisboa.

Já a forma de contar a história aos checos tem sofrido profundas revisões. Eventualmente, o termo revisionismo não chega para dar conta dessas alterações. Pensando apenas no século XX: o país, a Checoslováquia, aparece em 1918, divorciado do desaparecido império austro-húngaro, sofre uma visão distinta com a ascensão comunista, inspirada pela Rússia soviética, em 1945-1948. Depois, no final da década de 1980, primeiro a mudança de regime político e, logo depois, a separação da Eslováquia, que representava um terço do país e da população (5 milhões), obriga a nova reformulação da história. Pergunta: quem são os seus heróis, dirigentes, povo, territórios, cultura? Há sempre um lado de alteração ou reescrita da história, consoante os checos governam ou são governados, ilustrando o princípio pós-moderno de ausência da estabilidade ou do assentimento do sentido do efémero. Mas não existe o cosmopolitismo que nós temos, pois a perda da tutela imperial ou da Eslováquia parece indiciar o regresso à pureza racial.

Ambos os países perderam territórios. Mas, enquanto em Portugal, os países emancipados mantêm ligações profundas a nós, a República Checa e a Eslováquia parecem ainda não ter saído do espanto da separação por mútuo consentimento. É certo que Václav Havel deixou de ser o traidor por ter permitido a separação, conforme se pensou inicialmente, pois a violentíssima implosão na vizinha Jugoslávia veio afastar esses sentimentos. Mais vale uma separação amigável que sangrenta.

Há outra diferença. Portugal fica no extremo do continente, apenas com um vizinho poderoso ao lado. O mar dá-nos força e levou-nos a engendrar a saída a oeste, à procura de outros mares e civilizações. A República Checa fica no centro da Europa, rodeada de países poderosos (Alemanha, Polónia, o antigo império austro-húngaro e, mais longe no tempo, a Turquia e a Grécia, além da Rússia). Por isso, precisou de ter permanentemente uma capacidade negocial para sobreviver, pagando aos invasores para não destruirem o seu território. A prata das minas checas servia para isso, apoiada nos terrenos fertéis, que contribuem para uma dieta de pão, batatas, carne de vaca e cerveja da Boémia. Se, a nós, o mar acalenta as iras contra a Espanha, para os checos a diplomacia é o equilíbrio perante a força dos outros.

A República Checa tem elementos peculiares. Primeiro, de receio: não falam de Chéquia, nome que seria mais apropriado para o país, mas isso seria elevar a região da Boémia em detrimento das regiões da Morávia e da Silésia, esta em continuidade com a Polónia. Depois, surgem as ideias iluministas dos checos: Pablo Neruda retirou o nome de um intelectual e artista checo; o dólar nasceu na República Checa, sendo a moeda depois levada para o continente americano; no final da idade média, os políticos checos tiveram a ideia de união europeia, tendo mandado emissários a toda a Europa, incluindo Portugal. Em terceiro lugar, a organização das livrarias: estas possuem uma secção ligada a assuntos militares, do mesmo modo que as livrarias de Nova Iorque dão relevo aos estudos de género e gay & lesbian.

O nível de vida na República Checa é mais baixo que o nosso, os seus habitantes possuem um bom nível escolar (nos restaurantes de Praga, os empregados mostram cardápios em inglês e atendem os clientes nessa língua), o espírito de trabalho intenso continua a ser como no tempo do regime comunista. Certamente por isso, muito recentemente, uma fábrica da Hyundai ficou numa cidadezinha satélite de Praga.


Afinal, os checos eram ricos antes das convulsões do século XX e mantêm-se optimistas (mas realistas) e bons negociadores com os outros povos; talvez isso sejam características que os tenham impulsionado a ultrapassar Portugal em termos de riqueza.






























Legenda das imagens e vídeos: 1) pratos checos (e cerveja), 2) praça da cidade velha, 3) cidade velha, 4) relógio astronómico, 5) ponte Carlos, 6) rio junto à ponte Carlos, 7) viagem no eléctrico da linha 11, 8) rua Kafka e casa na rua dos ourives, nº 22, onde viveu Kafka e seu actual interior.

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O modo como olhamos a nossa história, salvo as diferentes interpretações do Estado Novo e da democracia pós 1974, tem-se mantido semelhante. A longa monarquia absolutista, a monarquia constitucional, a república e a ditadura, a campanha cristã de reconquista do território nacional, a povoação, as descobertas, o ouro do Brasil e as guerras coloniais têm sido ensinadas a gerações sucessivas. Em 1975, o país ficou mais pequeno, ao perder as colónias - como perdera o Brasil no século XIX -, mas é cosmopolita, com ilustram as diferenças raciais dos indivíduos que se cruzam quotidianamente em Lisboa.

Já a forma de contar a história aos checos tem sofrido profundas revisões. Eventualmente, o termo revisionismo não chega para dar conta dessas alterações. Pensando apenas no século XX: o país, a Checoslováquia, aparece em 1918, divorciado do desaparecido império austro-húngaro, sofre uma visão distinta com a ascensão comunista, inspirada pela Rússia soviética, em 1945-1948. Depois, no final da década de 1980, primeiro a mudança de regime político e, logo depois, a separação da Eslováquia, que representava um terço do país e da população (5 milhões), obriga a nova reformulação da história. Pergunta: quem são os seus heróis, dirigentes, povo, territórios, cultura? Há sempre um lado de alteração ou reescrita da história, consoante os checos governam ou são governados, ilustrando o princípio pós-moderno de ausência da estabilidade ou do assentimento do sentido do efémero. Mas não existe o cosmopolitismo que nós temos, pois a perda da tutela imperial ou da Eslováquia parece indiciar o regresso à pureza racial.

Ambos os países perderam territórios. Mas, enquanto em Portugal, os países emancipados mantêm ligações profundas a nós, a República Checa e a Eslováquia parecem ainda não ter saído do espanto da separação por mútuo consentimento. É certo que Václav Havel deixou de ser o traidor por ter permitido a separação, conforme se pensou inicialmente, pois a violentíssima implosão na vizinha Jugoslávia veio afastar esses sentimentos. Mais vale uma separação amigável que sangrenta.

Há outra diferença. Portugal fica no extremo do continente, apenas com um vizinho poderoso ao lado. O mar dá-nos força e levou-nos a engendrar a saída a oeste, à procura de outros mares e civilizações. A República Checa fica no centro da Europa, rodeada de países poderosos (Alemanha, Polónia, o antigo império austro-húngaro e, mais longe no tempo, a Turquia e a Grécia, além da Rússia). Por isso, precisou de ter permanentemente uma capacidade negocial para sobreviver, pagando aos invasores para não destruirem o seu território. A prata das minas checas servia para isso, apoiada nos terrenos fertéis, que contribuem para uma dieta de pão, batatas, carne de vaca e cerveja da Boémia. Se, a nós, o mar acalenta as iras contra a Espanha, para os checos a diplomacia é o equilíbrio perante a força dos outros.

A República Checa tem elementos peculiares. Primeiro, de receio: não falam de Chéquia, nome que seria mais apropriado para o país, mas isso seria elevar a região da Boémia em detrimento das regiões da Morávia e da Silésia, esta em continuidade com a Polónia. Depois, surgem as ideias iluministas dos checos: Pablo Neruda retirou o nome de um intelectual e artista checo; o dólar nasceu na República Checa, sendo a moeda depois levada para o continente americano; no final da idade média, os políticos checos tiveram a ideia de união europeia, tendo mandado emissários a toda a Europa, incluindo Portugal. Em terceiro lugar, a organização das livrarias: estas possuem uma secção ligada a assuntos militares, do mesmo modo que as livrarias de Nova Iorque dão relevo aos estudos de género e gay & lesbian.

O nível de vida na República Checa é mais baixo que o nosso, os seus habitantes possuem um bom nível escolar (nos restaurantes de Praga, os empregados mostram cardápios em inglês e atendem os clientes nessa língua), o espírito de trabalho intenso continua a ser como no tempo do regime comunista. Certamente por isso, muito recentemente, uma fábrica da Hyundai ficou numa cidadezinha satélite de Praga.


Afinal, os checos eram ricos antes das convulsões do século XX e mantêm-se optimistas (mas realistas) e bons negociadores com os outros povos; talvez isso sejam características que os tenham impulsionado a ultrapassar Portugal em termos de riqueza.






























Legenda das imagens e vídeos: 1) pratos checos (e cerveja), 2) praça da cidade velha, 3) cidade velha, 4) relógio astronómico, 5) ponte Carlos, 6) rio junto à ponte Carlos, 7) viagem no eléctrico da linha 11, 8) rua Kafka e casa na rua dos ourives, nº 22, onde viveu Kafka e seu actual interior.

publicado por industrias-culturais às 09:16
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